PUBLICIDADE
Topo

Opas: Mortalidade por covid-19 está alta nas Américas e isso nos preocupa

Profissional de saúde coleta amostra de servidor civil para teste de coronavírus - Willy Kurniawan
Profissional de saúde coleta amostra de servidor civil para teste de coronavírus Imagem: Willy Kurniawan

Gabriel Bueno da Costa

São Paulo

14/07/2020 13h54

Diretora da Opas (Organização Pan-Americana de Saúde), Carissa Etienne admitiu hoje que a entidade está preocupada com a alta mortalidade na pandemia da covid-19 nas Américas. Durante entrevista coletiva, ela destacou que a região é o epicentro global do problema.

Etienne lembrou que, até 30 de junho, as Américas haviam registrado 6,8 milhões de casos e 288 mil mortes pela doença. "Isso representa quase a metade de todos os casos e mortes reportados pelo mundo", afirmou. "Na última semana, a região foi responsável por 60% de todos os casos e 64% das mortes de todo o mundo", disse.

A diretora do braço regional da OMS (Organização Mundial de Saúde) lembrou que, nos últimos sete dias, houve recorde de casos, citando os níveis atingidos nos EUA. "O número de pessoas morrendo pela covid também está subindo, particularmente no Brasil, México e Estados Unidos."

Nesse contexto, Etienne lembrou que os mais vulneráveis são os que mais sofrem. Segundo ela, populações indígenas do Brasil na região da Bacia Amazônia registram taxas de incidência da doença mais de 5 vezes superior à média nacional.

Etienne comentou ainda que, nos últimos meses, houve uma "colaboração sem precedentes" entre cientistas e governos para buscar medicamentos e vacinas para a doença.

Segundo ela, há mais de 150 candidatas a vacinas sendo pesquisadas, sendo que 20 delas já passam por testes em pacientes, com a participação de países da região, como EUA, Brasil e Argentina.

Coordenação

Diretor assistente da Opas, Jarbas Barbosa destacou, durante entrevista coletiva da entidade, a importância de haver uma coordenação entre esferas de governo, para lidar com a pandemia da covid-19. "Isso é muito importante porque estamos enfrentando o maior desafio de saúde em um século", afirmou ele, ao falar sobre Estados que são uma federação.

Barbosa lembrou que "há muita inquietação" por parte das pessoas, com muitas dúvidas sobre o quadro, além de mencionar a incerteza na área econômica e "sobre o futuro" em geral. Nesse contexto, ele disse que as autoridades devem dialogar para que todos "sigam as recomendações baseadas em evidências científicas" contra o vírus.

A autoridade da Opas também comentou sobre o quadro da pandemia nas Américas em geral, notando que há divergências entre distintas regiões de um mesmo país. Ele defendeu que as autoridades tenham primeiro um quadro claro sobre como a doença se desenvolve em cada região, para que possam embasar decisões de reabertura. "Deve-se tomar qualquer medida de abertura depois de que se tenha certeza do controle da transmissão", sugeriu.

Sobre o caso do Chile, Barbosa disse que há uma "tendência nos últimos dias de redução no número de casos", mas reforçou a importância de que se olhe para cada região com mais detalhe para se estabelecer uma estratégia adequada.

Coronavírus