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Cotidiano

Brasil chega aos 3 milhões de casos positivos de covid-19

Mateus Vargas e Mariana Barros, especial para o Estado

Brasília e São Paulo

09/08/2020 13h53

Neste sábado, quando o Brasil ultrapassou a marca de 100 mil mortos pela covid-19, também se alcançou o número de 3.013.369 casos confirmados. O presidente Jair Bolsonaro usou as redes sociais para destacar o número de recuperados. Já o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF) decretaram luto em homenagem às vítimas.

O País bateu os 100 mil mortos no início da tarde. Nos últimos sete dias, a média móvel de novos óbitos foi de 990 a cada 24 horas. O Brasil registrou ontem, 841 mortes e 46.305 novas infecções, segundo dados do levantamento de Estadão, G1, O Globo, Extra, Folha e UOL com as secretarias estaduais de Saúde. O balanço do Ministério da Saúde mostra ainda que 2.094.293 pessoas já se recuperaram do novo coronavírus. E no total do órgão, 100.543 vidas já foram perdidas por covid-19.

O presidente da República compartilhou publicação de um site alinhado ao governo sobre os 2 milhões de recuperados da infecção. Jair Bolsonaro também mostrou vídeos de viagens recentes que fez a Bahia, Piauí e Rio Grande do Sul. As imagens registram aglomerações de apoiadores na chegada, contrariando recomendações de autoridades de saúde.

Filho "02" de Bolsonaro, o vereador pelo Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos) comentou publicação de um apoiador que sugeriu distorções sobre dados da covid-19, pois haveria uma queda de mortos por pneumonia em 2020. "Muito curioso, não?", escreveu o vereador. Pouco antes, Carlos havia reagido a uma notícia que afirmava que o contágio da doença não subiu após a reabertura de escolas na Europa. "Mais uma vez utilizam uma linha politicamente correta ignorando os fatos para verem até onde podem te humilhar e então aplicar o plano de poder tão desejado. No fim, o cidadão ainda agradece a migalha oferecida pelo Estado! (sic)", afirmou o filho do presidente.

Bolsonaro já havia mencionado que o País se aproximava de 100 mil mortos, em transmissão nas redes sociais na quinta-feira. Ao lado do ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, o presidente disse que era preciso "tocar a vida", apesar das vítimas. "A gente lamenta todas as mortes, está chegando a 100 mil, vamos tocar a vida e buscar uma maneira de se safar desse problema."

Demitido em abril do Ministério da Saúde, ontem o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (DEM) afirmou que o presidente Bolsonaro soube, no começo da crise, que o Brasil iria ultrapassar 100 mil mortos caso ignorasse recomendações de autoridades sanitárias. Para ele, apesar da "sabotagem" de Bolsonaro, o cenário seria "infinitamente pior" se adotasse a estratégia sugerida inicialmente pelo presidente. "Aquela história de quarentena vertical, sai todo mundo de casa e somente pessoas acima de 65 anos ficam, teria sido um número infinitamente superior (de mortes), disse ao Estadão. Procurado, o Planalto não quis comentar a declaração do ex-titular da Saúde.

Já Pazuello lamentou "profundamente por cada vida perdida na pandemia da covid-19". "Não se trata de números, planilhas ou estatísticas, mas de vidas perdidas que afetam famílias, amigos e atingem o entorno do convívio social."

Judiciário e Legislativo. No Congresso, o luto oficial será de quatro dias. E no STF, de três. A decisão foi anunciada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), em uma rede social, e pelo presidente da Corte, Dias Toffoli, em uma nota. Alcolumbre disse que o luto oficial é em solidariedade "a todos os brasileiros afetados pela pandemia e às vítimas desta tragédia". Com isso, as sessões na Câmara e no Senado só serão retomadas na quarta-feira. "Hoje é um dos dias mais tristes da nossa história recente."

Já o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), considerou "absurda" a marca de 100 mil mortos. "Estamos convivendo diariamente com a pandemia, mas não podemos ficar anestesiados e tratar com naturalidade esses números. Cada vida é única e importa."

"Somos uma nação enlutada, que sofre pela perda de familiares, amigos e pessoas do nosso convívio social", disse Toffoli. "Os reflexos e as dores oriundas da pandemia são inúmeros e imensuráveis."

"Não podemos nos conformar, nem apenas dizer #CemMilEdaí. São mais de 100 mil mortos; 100 mil famílias que perderam entes para a covid. Que a ciência nos aponte caminhos e que a fé nos dê esperança", escreveu o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro.

Ação urbanística cria mobilidade com isolamento social

Usar o planejamento urbano como ferramenta para o isolamento social se tornou uma prática comum em várias cidades do mundo, com mais de cem localidades experimentando mudanças permanentes ou temporárias no uso de seus espaços públicos. Cada uma à sua maneira, Nairóbi, Londres, Bogotá, Cidade do México, Nova York, Los Angeles e Sidney, entre tantas outras, têm tentado delimitar vias sem carros, corredores de pedestres e novas ciclovias.

Aproveitar a redução do tráfego de veículos e abrir ruas para pedestres e ciclistas têm sido a tônica na Europa e nos Estados Unidos, especialmente nos locais que tentam retomar as atividades econômicas sob protocolos de segurança. Um bom exemplo é o da americana Hoboken, em Nova Jersey, que até outubro promove o festival de verão Summer Streets como forma de incentivar caminhadas, pedaladas e a volta do comércio de rua, tão dependente do movimento de pessoas. A prefeitura criou estruturas como parklets, minipraças instaladas em vagas de estacionamento no meio-fio, e reservou espaços em ruas e avenidas para servir de calçada estendida a bares e restaurantes.

Caminhos semelhantes têm sido trilhados por cidades europeias como Paris, Milão e Madri, preocupadas com o potencial aumento do número de motoristas frente aos riscos de contaminação no uso do transporte público. Para não assistirem à volta da poluição, do barulho e dos altos índices de congestionamento que oneram toda a população, agiram rápido: investem na construção de ciclovias onde antes só passavam carros e oferecem incentivos para a compra de bicicletas. A capital francesa quer remover 72% dos estacionamentos de rua, o equivalente a eliminar 60 mil das 83.500 vagas disponíveis. Paralelamente, as velocidades permitidas nas cidades europeias têm baixado a patamares em torno de 35 km por hora, para uma convivência segura entre quem pedala e quem dirige.

São Paulo. Depois do fracasso da proposta de um megarrodízio que proibia a circulação de metade da frota a cada dia, a Prefeitura da capital paulista voltou sua atenção à gestão dos espaços públicos. Um novo projeto prevê a ocupação de calçadas de algumas ruas do centro por mesas de bares e restaurantes. Essas e outras medidas estarão entre os temas debatidos no Summit Mobilidade 2020, que acontece na próxima quarta-feira, a partir das 9h30 em formato digital e gratuito. Para conferir a programação completa e fazer a sua inscrição, acesse o site do evento, estadaosummitmobilidade.com.br. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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