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Em delação, Riva diz que pegou propina de R$ 4 mi para beneficiar atacadistas

Ex-presidente da Assembleia Legislativa do Mato Grosso José Geraldo Riva  - Maurício Barbant/Assembleia Legislativa de Mato Grosso
Ex-presidente da Assembleia Legislativa do Mato Grosso José Geraldo Riva Imagem: Maurício Barbant/Assembleia Legislativa de Mato Grosso

Pepita Ortega, Rayssa Motta e Fausto Macedo

São Paulo

22/11/2020 14h15

Em mais um trecho de sua delação premiada, o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Mato Grosso José Geraldo Riva afirmou que ele, o ex-governador Silval Barbosa e diversos deputados receberam propina de R$ 4 milhões para aprovar a Lei nº 9.855/2012, que tratava da carga tributária do ICMS em operações envolvendo atacadistas e distribuidores.

Segundo o delator, o pagamento foi realizado pela Associação Matogrossense de Atacadistas e Distribuidores, em cheques que registravam baixos valores, emitidos por várias empresas.

Riva apontou ainda que a negociação da propina foi conduzida pelo então presidente da AMAD, Sérgio José Gomes. Ainda segundo o delator, as 'discussões técnicas' sobre o suborno envolveram não só Gomes, mas outros membros da organização, como Sebastião dos Reis Gonçalves (mais conhecido como Tião da Zaeli), Oscar José Soares do Prado e Fernando Mendonça, além de Xisto Alessandro Bueno, assessor parlamentar da ALMT - este último sem participar do pagamento de propina.

"Estive no gabinete do governador Silval Barbosa juntamente com o Sérgio, quando repassamos o valor correspondente a R$ 50%", declarou Riva, em depoimento gravado em vídeo, em referência a uma parcela de R$ 2 milhões.

Riva, por sua vez, embolsou R$ 850 mil. O restante, R$ 1,15 milhão, acabou divido entre deputados estaduais. O colaborador não soube apontar o nome dos parlamentares envolvidos, com exceção de Dilmar Dal Bosco e Gilmar Fabris.

"Não posso assegurar quem foram os outros beneficiados, até porque era muito comum que alguns atacadistas do interior repassassem valor direto a deputados, como ocorreu comigo lá em Sinop, no supermercado Machado, quando recebi uma parte desse valor de R$ 850 mil", explicou Riva.

"O projeto de lei foi aprovado antes do pagamento de propina e até deputados que não receberam qualquer verba ilícita, votaram em favor do segmento, não houve resistência. Jamais foi tratado o quanto os atacadistas deixariam de pagar em tributos", registra ainda o anexo da delação de Riva.

A reportagem busca contato com os citados por Riva. O espaço está aberto para manifestações.

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