PUBLICIDADE
Topo

Política

Deputado defende investigação sobre ajuda do governo à Igreja Universal

Vice-presidente Hamilton Mourão viajou a Angola e tentou auxiliar na crise envolvendo a Igreja Universal no país - Divulgação
Vice-presidente Hamilton Mourão viajou a Angola e tentou auxiliar na crise envolvendo a Igreja Universal no país Imagem: Divulgação

Lauriberto Pompeu

21/07/2021 08h01Atualizada em 21/07/2021 08h50

O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) afirmou ontem que vai entrar com uma representação na PGR (Procuradoria-Geral da República) e na Procuradoria da República no Distrito Federal para apurar possível crime de improbidade administrativa na viagem que o vice-presidente Hamilton Mourão fez a Angola, onde tentou interceder para auxiliar a Iurd (Igreja Universal do Reino de Deus).

O crime de improbidade administrativa ocorre quando o agente público age, no exercício do cargo, contra o interesse público.

A ação vai questionar o uso de dinheiro público para atender a interesses privados e solicitar informações sobre os custos dos voos da FAB (Força Aérea Brasileira) e como as hospedagens foram bancadas em Angola.

O "Estadão" mostrou ontem que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) agiu para que o vice tentasse resolver um conflito do grupo religioso no país africano.

Na semana passada, Mourão viajou a Angola para participar de reunião da CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa). O general disse ao "Estadão" que, a pedido de Bolsonaro, conversou com o presidente angolano, José Lourenço, para tentar ajudar a Universal.

Integrantes da Universal em Angola se rebelaram contra a direção brasileira da igreja —fundada e liderada pelo bispo Edir Macedo— e divulgaram um manifesto que acusa o comando geral de lavagem de dinheiro, sonegação de impostos e racismo.

A Universal nega as acusações. Pastores e bispos brasileiros estão sendo deportados do país africano. Antes da viagem de Mourão, bispos da Universal no Brasil chegaram a se queixar da falta de apoio do Itamaraty.

"O patrocínio que eles estão fazendo não é só trânsito diplomático. O que é atribuído à Universal são crimes de evasão de divisas, sonegação de impostos e racismo", disse Valente.

Ele acusa o governo brasileiro de "interferir em outro Estado para defender interesses privados". "Fora que o Estado (brasileiro) é laico, não pode tratar de questões privadas e ideológicas em outro país."

As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

Política