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Bolsonaro volta a falar em fraude eleitoral mesmo após dizer que não tem provas

27.jul.2021 - Jair Bolsonaro (sem partido) fala com apoiadores na frente do Palácio da Alvorada, em Brasília - Reprodução/YouTube/Foco do Brasil
27.jul.2021 - Jair Bolsonaro (sem partido) fala com apoiadores na frente do Palácio da Alvorada, em Brasília Imagem: Reprodução/YouTube/Foco do Brasil

Gustavo Côrtes e Sofia Aguiar

Do Estadão Conteúdo, em Brasília

30/07/2021 12h29Atualizada em 30/07/2021 13h01

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a fazer ataques ao sistema eletrônico de voto, após admitir ontem que não tem provas de fraudes em eleições. Ao longo de pouco mais de duas horas de transmissão pela internet, o chefe do Executivo, além de não apresentar fatos que comprovassem irregularidades, exibiu vídeos com informações falsas. "Estão defendendo não ter o voto auditável como se fosse a própria vida. Será que não é?", disse o presidente a apoiadores nesta manhã.

Na apresentação feita ontem pelo presidente, com provas fraudulentas, um homem diz ser fácil adulterar o resultado das urnas por meio de alteração do código-fonte. Conforme informou o Estadão/Broadcast, a informação é falsa. O dispositivo é desenvolvido por equipe restrita do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e tem mecanismos de segurança capazes de impedir o funcionamento das urnas com arquivo modificado.

"Por que a reação em ter um sistema confiável de apurar voto? Estão defendendo não ter o voto auditável como se fosse a própria vida. Será que não é? Alguns países têm voto eletrônico, mas urnas de primeira, segunda geração", afirmou o chefe do Executivo a apoiadores, hoje.

De acordo com informações do TSE, as urnas eletrônicas mantiveram apenas a aparência. Em 2008, todos os modelos foram trocados por versões com alteração tecnológica. Antes disso, houve pelo menos três atualizações do sistema de funcionamento do software dos equipamentos.

Crise hídrica

O presidente voltou a admitir que o país passa por uma das maiores crises hídricas da história, mas fez ressalvas. Segundo ele, não havia como evitar o problema, por se tratar de fenômeno provocado por causas naturais. "Não fujo da minha responsabilidade, mas não tenho como lutar contra a natureza", afirmou.

Bolsonaro se refere à falta de água nos reservatórios das hidrelétricas nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste, que respondem por aproximadamente 70% da capacidade de armazenamento para geração de energia do País. O Brasil atravessa a pior crise hidrológica dos últimos 91 anos.

Questionado sobre o aumento do preço do aço, Bolsonaro culpou a pandemia do novo coronavírus ao afirmar que o movimento ocorreu no mundo inteiro. "Isso é mercado, não posso interferir, o problema é no mundo todo", justificou. "O mundo todo está consumindo mais, China está comprando mais", disse em seguida.

Conforme afirmou nesta manhã em entrevista à 89FM Rádio Rock - SP, Bolsonaro manteve seu discurso de que a economia formal está "indo bem" e reforçou que a projeção de crescimento para o País é de 5%. Segundo ele, os dados apontam que o Brasil "vai voltar à normalidade". "Vai ter problema, mas vamos voltando à normalidade".

Em dados divulgados nesta sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Economia e Estatística (IBGE) divulgou que o trimestre encerrado em maio de 2021 mostrou a abertura de 102 mil vagas com carteira assinada no setor privado em relação ao trimestre encerrado em fevereiro. Na comparação com o trimestre até maio de 2020, 1,304 milhão de vagas com carteira assinada foram perdidas no setor privado.

O governo Bolsonaro teve início em 1º de janeiro de 2019, com a posse do presidente Jair Bolsonaro (então no PSL) e de seu vice-presidente, o general Hamilton Mourão (PRTB). Ao longo de seu mandato, Bolsonaro saiu do PSL e ficou sem partido. Os ministérios contam com alta participação de militares. Bolsonaro coloca seu alinhamento político à direita e entre os conservadores nos costumes.