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1 mês

Juiz ligado ao STJ é alvo de operação da PF que mira fraudes em execuções fiscais

São Paulo

20/05/2022 14h21

A Polícia Federal no Ceará deflagrou na manhã desta sexta-feira, 20, uma Operação batizada Skiagraphia contra suposto esquema de corrupção com atuação de juízes federais, advogados, empresários e servidores públicos em Fortaleza. De acordo com o delegado regional de investigação e combate ao crime organizado da PF do Ceará Alan Robson, estão entre os alvos da ofensiva um juiz assessor da presidência do Superior Tribunal de Justiça e um magistrado aposentado.

Cerca de 90 agentes cumprem 19 Mandados de busca e apreensão em residências de investigados nas cidades de Fortaleza (CE), Brasília (DF), São Paulo (SP), Recife (PE) e Dourados (MS). As ordens foram expedidas pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região. A ofensiva apura supostos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Durante o cumprimento de ordem de busca em um escritório de advocacia em São Paulo, a PF apreendeu R$ 930 mil em espécie, ‘com suspeitas de origem ilícita’, segundo a corporação. Os investigadores informaram que foi providenciado depósito bancário à disposição do TRF-5 e que as apurações vão se debruçar também sobre a procedência do montante e vínculo com os fatos investigados.

De acordo com a PF, as investigações tiveram em 2019, com base em notícia-crime da Procuradoria da Fazenda Nacional, que representa a União em processos de execuções judiciais.

De acordo com o delegado regional de investigação e combate ao crime organizado da PF do Ceará Alan Robson, a Procuradoria da Fazenda apontou ‘circunstâncias, indícios de ilicitudes, praticas criminosas’ em processos que tramitaram na Justiça Federal do Ceará. O órgão chamou as supostas irregularidades de ‘teratologias, decisões absurdas, andamentos absurdos’, informou Robson.

Os investigadores veem indícios de participação de magistrados, advogados e empresários devedores do Fisco Federal em supostas irregularidades ‘em ações em curso na Justiça Federal entre 2012 a 2016 e que resultaram em prejuízo bilionário aos cofres da União’.

"Foram investigadas suspeitas de ilicitudes na condução de processos de execuções fiscais dos grandes devedores da União; vínculos suspeitos entre magistrados e advogados; fluxo financeiro suspeito; falsificação documental com simulação de intimações da União, com prejuízo à Fazenda Nacional em benefício de empresários", explicou a PF.

Segundo a corporação, o nome da ofensiva faz referência à técnica de pintura ‘shadow painting’, ‘em que se busca dar a ilusão de profundidade pelo contraste entre sombra e luz’. "Com isso, os investigados simulavam estar à luz do caminho público, mas na verdade se encontravam às sombras da lei", indicou a PF.

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