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2 meses

Aliados do PT reclamam de 'revogação' de reforma da CLT em diretrizes

Lula e Alckmin se reúnem na primeira reunião com a coordenação de campanha em São Paulo, em maio - ALLISON SALES/FOTORUA/ESTADÃO CONTEÚDO
Lula e Alckmin se reúnem na primeira reunião com a coordenação de campanha em São Paulo, em maio Imagem: ALLISON SALES/FOTORUA/ESTADÃO CONTEÚDO

Luiz Vassallo e Giordanna Neves

10/06/2022 08h01

Partidos aliados da pré-candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reclamaram do uso do termo "revogação" para tratar da reforma trabalhista na prévia do programa de governo divulgada na segunda-feira, 6. Houve ainda queixas sobre autoelogios da legenda no item combate à corrupção. Apoiadores disseram m que não houve diálogo para a elaboração das propostas.

Lideranças de PV, PCdoB, PSOL, PSB, Rede e Solidariedade se reuniram ontem, em São Paulo, com dirigentes petistas para buscar alinhamento em torno das diretrizes para as eleições 2022. O Estadão apurou que o maior incômodo ocorreu em razão do "vazamento", como dizem aliados, do documento de 90 tópicos.

Intitulado de Diretrizes para o Programa de Reconstrução do Brasil Lula 2023-2026, o texto foi divulgado pela Fundação Perseu Abramo. Aliados disseram que faltou alinhamento com os demais partidos da chapa do petista com o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB).

Termos

O termo "revogação" ao tratar da reforma trabalhista tem sido evitado até mesmo por Lula em discursos. Ele já havia usado a expressão, mas recuou. O petista tem falado agora em revisar as mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), implementadas no governo Michel Temer (MDB). Centrais sindicais também preferem evitar "revogação" para não entrar em atritos com o empresariado.

No documento, constava a data de ontem como limite para envio de sugestões. "No sábado, vamos nos reunir para verificar a incorporação e consolidação dessas emendas apresentadas", afirmou o ex-deputado Domingos Leonelli, que representou o PSB na reunião.

No PSB e na Rede, a divulgação da prévia sem diálogo com os partidos foi a questão considerada mais grave do que o teor do documento. Ao Estadão, integrantes das legendas afirmam que o desconforto ficou no passado.

Até amanhã, haverá mais um debate sobre a reforma trabalhista. Centrais sindicais também serão ouvidas.

"Os partidos deliberaram por solicitar as posições das centrais sindicais a respeito das reformas trabalhistas, dos trabalhadores do campo, da reforma agrária, da agricultura familiar, dos ambientalistas. Educadores também vão ser ouvidos. Esse caso (reforma trabalhista) é um aspecto pontual. O PT defende a revogação, mas vamos ouvir as centrais sindicais", afirmou a ex-ministra Maria do Rosário, representante do PT na reunião de ontem.

Autoelogio

Integrantes dos partidos afirmaram ao Estadão que houve descontentamento com o tópico combate à corrupção. No Solidariedade, questiona-se o motivo de o PT ter se colocado como "baluarte" na área - o partido teve integrantes envolvidos e condenados no esquema do mensalão e em os casos de desvios na Petrobras investigados pela Operação Lava Jato.

No documento, há uma exaltação do reforço da Polícia Federal e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Carf) durante a era petista. Consta ainda que durante as gestões do PT teria havido, "de forma inédita no Brasil, uma política de Estado de prevenção e combate à corrupção e de promoção da transparência e da integridade pública".

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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