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Por Tebet-Tasso, MDB Nacional quer apoiar Leite, mas diretório gaúcho resiste

O ex-governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB) Imagem: Reprodução/TV Globo

Lauriberto Pompeu

Em Brasília

29/06/2022 20h46Atualizada em 29/06/2022 21h02

A cúpula nacional do MDB fez um novo gesto de aceno a Eduardo Leite (PSDB) na eleição para governador do Rio Grande do Sul. A Executiva Nacional do partido aprovou por unanimidade, nesta quarta-feira, 29, um "indicativo" de apoio a Leite. O embarque dos emedebistas à pré-candidatura do tucano foi apresentado pelo PSDB como condição fundamental para que as duas legendas estejam juntas na eleição presidencial.

O PSDB anunciou no último dia 9 que vai apoiar a candidatura presidencial da senadora Simone Tebet (MDB-MS). Os tucanos também caminham para indicar o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) como candidato a vice de Simone. O anúncio de Tasso como vice, porém, está travado justamente pela ausência de acordo entre as duas siglas no Rio Grande do Sul.

A ideia é que o cearense seja publicamente anunciado na chapa tão logo o MDB desista da candidatura ao governo gaúcho. Mesmo sem um anúncio formal, o parlamentar já está integrado na organização da pré-campanha da emedebista e mantém constante contato com ela. Nesta semana, os dois participaram de um jantar com empresários em São Paulo e também vão estar juntos na quinta-feira, 30, durante evento sobre os 28 anos do Plano Real. A aliados, Simone Tebet encara como fato consumado que Tasso será seu vice.

"A Executiva Nacional do MDB acaba de aprovar - por unanimidade - o indicativo em favor da aliança com o PSDB e o Cidadania para a disputa do governo do Rio Grande do Sul. A chapa única é fundamental para o projeto em torno de Simone Tebet", disse o partido por meio de nota.

Apesar disso, o presidente do MDB gaúcho, Fábio Branco, e o deputado estadual Gabriel Souza, pré-candidato a governador pelo MDB, divulgaram prontamente nas redes sociais mensagens em que reforçam a tese de candidatura própria no Estado.

"Respeito o MDB Nacional, mas a decisão sobre as eleições no Rio Grande do Sul será do MDB-RS, como sempre foi. Reafirmo a candidatura própria ao governo do Estado. Vou convocar a Executiva para acionar nossas instâncias partidárias e deliberar o assunto", declarou o presidente do diretório gaúcho menos de uma hora depois de a Executiva Nacional da legenda divulgar a aprovação do indicativo.

Gabriel Souza também não escondeu o desejo de manter a candidatura a governador. "Diante da convocação de reunião da Executiva do MDB Nacional para tratar de alianças nos estados, reafirmo a minha convicção de que o MDB-RS deve ter candidatura própria para governador. Acredito que o RS precisa de novos nomes e ideias para um amplo projeto de desenvolvimento", afirmou na manhã desta quarta, antes da reunião do MDB. Souza é o primeiro-secretário da Executiva Nacional do partido, mas disse no Twitter que não participou da reunião.

Para arrefecer as críticas da ala gaúcha da legenda, o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, falou para aliados que a decisão de hoje não é "uma imposição", mas sim uma maneira de a legenda demonstrar que está aberta ao diálogo com o PSDB. "O DNA do MDB é democrático. Sempre será respeitada a decisão da maioria das instâncias partidárias constituídas", disse o MDB nacional no Twitter.

Eduardo Leite agradeceu o MDB, mas também adotou cautela ao falar nas redes sociais sobre a pré-candidatura de Gabriel Souza ao governo estadual. De acordo com o tucano, a posição da cúpula nacional do MDB é "uma demonstração de sinergia com o espírito que moveu o PSDB a abrir mão de candidatura própria à Presidência".

Leite evitou confronto com Souza e disse compreender que o MDB gaúcho "tem total legitimidade para buscar protagonismo de candidatura própria", encaminhando "como julgar apropriado" o indicativo de apoio.

O tucano também afirmou que as pré-candidaturas estaduais do MDB e do PSDB representam ideias parecidas e querem impedir a reprodução da polarização entre bolsonaristas e petistas no Estado. "Nossos projetos para o RS têm sinergia e confrontaremos, localmente, representantes das forças que polarizam nacionalmente", disse.

"Confio em nossa capacidade de composição em torno de um projeto para o futuro do RS. Independentemente do caminho que vierem a escolher, manifesto meu respeito ao deputado Gabriel Souza e sua pré-candidatura", completou.

Além de não abrir mão da candidatura própria, o MDB do Rio Grande do Sul tem agido para atrair para a órbita de alianças de Souza partidos que hoje estão com Leite, como o PSD e o União Brasil.

O MDB é forte no Rio Grande do Sul e elegeu quatro dos dez governadores do período pós-redemocratização. A sigla polarizou com Leite na eleição estadual de 2018, quando o tucano venceu o então governador José Ivo Sartori (MDB) no segundo turno.

Apesar disso, os emedebistas decidiram virar base de Leite e o próprio Gabriel Souza, que comandou a Assembleia Legislativa do Estado, adotou um perfil de colaboração com o tucano. Outro motivo citado pela ala do MDB que defende aliança com o PSDB é que o partido ainda mantém indicações na gestão do governador Ranolfo Vieira (PSDB), que era vice de Leite e assumiu o cargo quando o ex-governador tentou ser candidato a presidente. O secretário estadual de Transportes, Luiz Carlos Souza, por exemplo, é indicação do MDB.

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