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Operações da PF miram quadrilha que criou criptomoeda para lavar ouro de garimpo

A Polícia Federal investiga quadrilha que usa criptomoeda para garimpo ilegal na região Norte - Divulgação/PF
A Polícia Federal investiga quadrilha que usa criptomoeda para garimpo ilegal na região Norte Imagem: Divulgação/PF

Redação, O Estado de S. Paulo

São Paulo

07/07/2022 14h29

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira, 7, três operações simultâneas, em sete Estados, para combater crimes de extração e comércio ilegais de ouro no norte do País, lavagem de dinheiro, receptação qualificada, corrupção e organização criminosa. Batizadas 'Ganância', 'Golden Greed' e 'Comando', as ofensivas cumprem, ao todo, 82 mandados de busca e apreensão e cinco ordens de prisão preventiva.

Os mandados de segregação cautelar foram expedidos no âmbito da Operação Ganância pela 3ª Vara Criminal da Justiça Federal de Porto Velho, em Rondônia. O juízo ainda determinou que os agentes vasculhem 65 endereços nos Estados de Pará, Goiás, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Acre e determinou o bloqueio dos bens dos investigados até o limite de R$ 2 bilhões.

As investigações tiveram início em fevereiro de 2021 após uma denúncia de que empresas de Porto Velho, do ramo da Saúde, estariam lavando dinheiro de valores recebidos em licitações fraudulentas.

Após as primeiras diligências, a PF verificou que os recursos ilícitos injetados nas companhias eram oriundos de garimpo ilegal, praticado, pelo menos, desde 2012 pelos líderes da organização criminosa.

Os investigadores então conseguiram revelar uma movimentação de quantias bilionárias pelo grupo sob suspeita, com depósitos e saques milionários em espécie, empresas de fachada e transferências bancárias entre envolvidos.

Para lavar o dinheiro, a quadrilha usava diferentes mecanismos, sendo que chegou a criar um criptoativo próprio em uma das empresas, para justificar os valores advindos da extração ilegal do ouro, como se fossem investimentos de terceiros interessados em receber dividendos.

A análise bancária da Polícia Federal apontou que, entre entre 2019 e 2021, o grupo movimentou mais de R$ 16 bilhões em suas contas bancárias.

"Foi possível demonstrar que a mineradora investigada 'esquentava' o ouro extraído ilegalmente de outros garimpos da região norte do país utilizando-se de licenças ambientais inválidas e extrapolando os limites da licença de pesquisa e da guia de utilização que possuía para o local. Estima-se que o rendimento da empresa tenha sido de R$ 1,1 bilhão", registrou a corporação.

Ainda de acordo com a corporação, o valor do impacto ambiental em apenas um dos garimpos identificados na operação foi estimado em cerca de R$ 300 milhões. Em tal garimpo, a área impactada pelos danos relativos à extração de ouro, 'cumulativos e potencialmente irreversíveis', chegaram a 212 campos de futebol, diz a PF.

Já no âmbito da Operação Golden Greed, os policiais cumprem 17 mandados de busca e apreensão, inclusive contra servidores da Agência Nacional de Mineração do Pará.

As diligências são realizadas nos Estados do Acre, Goiás, Pará, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul para aprofundar apuração sobre quadrilhas que atuam na extração e comércio ilegais de ouro no Pará.

A ofensiva é realizada em conjunto com a Controladoria-Geral da União e foi aberta por ordem da Justiça Federal em Jundiaí (SP).

Foram determinadas a apreensão de dezenas de veículos e máquinas utilizadas na extração de ouro; o sequestro de cinco aeronaves e um helicóptero; o bloqueio de contas dos investigados até o valor de R$ 1,1 bilhão; e a suspensão das atividades de mineradora sob suspeita.

A Operação Combate é resultado de uma apuração que mirava uma quadrilha especializada no tráfico internacional de cocaína com transporte com aviões, em um trajeto que partia da região fronteiriça do Mato Grosso do Sul com o Paraguai, com destino a Jundiaí.

No entanto, com a identificação de uma das aeronaves usadas pelo grupo, a PF localizou o hangar usado para o tráfico no interior paulista, sendo que, após a prisão do fornecedor das drogas no Paraguai, o local passou a ser usado para outro esquema de transporte sob suspeita, o de ouro.

Segundo as investigações, o minério era transportado do Pará para São Paulo, utilizando o mesmo hangar, cujo administrador estava sendo investigado. A PF então identificou pilotos, aeronaves, intermediários e mineradoras envolvidas no esquema, tendo realizado diversas apreensões de ouro extraídos e comercializados de forma ilegal.

Na etapa ostensiva realizada nesta manhã, os agentes cumprem cinco mandados de busca e apreensão, em Goiás e no Pará. As ordens foram expedidas pela 2ª Vara Federal de Jundiaí.

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