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21/04/2007 - 09h05

PF estoura 'bingão da Justiça' em São Paulo

São Paulo - A Polícia Federal apreendeu ontem pilhas de documentos, discos rígidos de computadores, um notebook e pelo menos cinco veículos como parte da Operação Têmis, que visa a combater suposta venda de sentenças judiciais e lavagem de dinheiro em São Paulo.

Foram cumpridos mais de 80 mandados de busca e apreensão em casas e escritórios de 43 pessoas - entre desembargadores e juízes federais, empresários e advogados - nas cidades de São Paulo, Rio e Campo Grande (MS).

As investigações não têm relação direta com a Operação Hurricane, embora ambas investiguem casas de bingos. O superintendente da PF em São Paulo, Geraldo José de Araújo, batizou o esquema de "bingão da Justiça".

Além dos mandados de busca, a PF pediu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) a prisão preventiva dos investigados, mas o ministro Félix Fisher negou.

Entre os citados no inquérito, estão os desembargadores Alda Basto, Nery Júnior e Roberto Haddad, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), além dos juízes federais Maria Cristina Barongeno Cukierkorn, da 23ª, e Djalma Moreira Gomes, da 25ª Vara.

Segundo a PF, os citados formaram uma organização criminosa especializada na compra e na venda de liminares para beneficiar casas de bingo e empresas interessadas em obter créditos tributários.

A investigação começou em agosto de 2006, após uma denúncia do Ministério Público Federal (MPF) de que empresários ligados a bingos pagavam mensalidades que variavam de R$ 20 mil a R$ 30 mil para desembargadores, juízes e uma funcionária da Receita Federal, além de lobistas envolvidos no esquema.

A suposta quadrilha contaria, ainda, com a participação de policiais civis. Pelo menos dez decisões judiciais que beneficiaram bingos estão sob suspeita.

Os trabalhos da PF foram interrompidos há cerca de um mês, quando um funcionário da Telefônica, requisitado para fazer o grampo autorizado pela Justiça, vazou informações sobre as escutas para um policial civil, que avisou alguns dos investigados.

Quando a organização criminosa começou a queimar provas, o STJ foi comunicado. A Telefônica informou que está ajudando nas investigações e houve apreensão ontem de documentos que estavam em cima da mesa de um funcionário. O profissional, que não teve o nome divulgado, está afastado e a empresa abriu sindicância interna.

As apurações indicam que havia um grupo de lobistas que tratava com o Judiciário em nome de empresários e casas de bingo. Os policiais dariam proteção para as empresas, além de ajudar na busca por informações para os lobistas.

Uma funcionária da Receita ficaria responsável pela facilitação dos créditos tributários. "Acontecia um pagamento mensal, da ordem de R$ 20 mil a R$ 30 mil, que era feito pelos interessados em conseguir decisões favoráveis", explicou Araújo.

Apesar de o inquérito ser sigiloso, a PF admitiu que donos de bingos chegaram a pagar R$ 150 mil a magistrados por uma liminar que garantia o funcionamento das casas. A PF, agora, analisará documentos apreendidos e poderá pedir novamente a prisão dos investigados.

"Temos fortes elementos para incriminar essas pessoas", disse o delegado Luiz Roberto Ungaretti de Godoy, do Grupo de Combate ao Crime Organizado da PF.

O Estado apurou que, além de provas materiais e documentais, a PF tem vídeos que reforçam as acusações.

Bruno Tavares, Eduardo Reina, Fausto Macedo, Fabiano Rampazzo, Marcelo Godoy, Rodrigo Brancatelli e Rodrigo Pereira

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