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28/10/2007 - 08h32

Estrangeiros dominam ofertas de ações no País

São Paulo - Às vésperas de conquistar o grau de investimento, o Brasil virou a bola da vez para quem quer ganhar dinheiro no mercado financeiro. Só neste ano calcula-se que tenham desembarcado na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) R$ 40 bilhões de investidores estrangeiros, que abocanharam em torno de 74% de toda a oferta de ações no País (R$ 53 bilhões). É o dobro do que esses investidores compraram na Bolsa paulista em todo o ano passado, de cerca de R$ 20 bilhões.

Toda essa fortuna foi para as mãos de bilionários fundos de pensão existentes no mercado internacional, fundos de investimentos e administradores de recursos, entre outros. Tomando por base o desempenho da Bovespa no ano, eles não têm do que reclamar. De janeiro até sexta-feira, a Bolsa paulista acumulou ganho de 44,52% e, no período de 12 meses, 62,13%, considerando os solavancos sofridos nos meses de julho e agosto.

O maior exemplo do vigoroso apetite dos estrangeiros por papéis brasileiros foi a oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) da Bovespa Holding, na semana passada. Informações do mercado financeiro apontam que a demanda pelas ações na reserva bateram a casa de US$ 30 bilhões.

A oferta, incluindo o lote extra de ações, somou R$ 6,6 bilhões, dos quais 80% teriam ficado com investidores estrangeiros. Na estréia, ocorrida sexta-feira, as ações tiveram a espetacular valorização de 52,13%, cotadas por R$ 34,99.

A aposta dos especialistas é que, depois do sucesso da Bovespa Holding, a próxima a abrir o capital é a Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Na semana passada, o CME Group, de Chicago, a maior e mais diversificada bolsa de valores do mundo, anunciou a assinatura de uma carta de intenção para a compra de 10% das ações da brasileira. Em troca, a BM&F terá participação de 2% na bolsa americana.

"Estamos tendo um ano recorde, mas o investidor de fora está mais seletivo, comparado ao primeiro semestre", garante José Olympio Pereira, diretor da área de investment banking do Credit Suisse, um dos líderes na emissão de ações no Brasil em 2007.

Apesar disso, ele afirma que o cenário para os próximos meses é extremamente favorável. "Não seria nenhuma surpresa se, em 2008, o País conseguir bater os recordes deste ano. Mas, como a base já está alta, se repetirmos o resultado desse ano será um desempenho bastante positivo."

Renée Pereira

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