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02/03/2009 - 18h52

Sem-terra ameaçam ocupar 15 fazendas do Opportunity

Belém
As invasões das fazendas da Agropecuária Santa Bárbara, do grupo Opportunity, no sul do Pará, vão continuar e devem ser ampliadas, segundo promessa de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) presentes nas ocupações. Outras 15 propriedades rurais do grupo na região estão na mira não só do MST, mas também de agricultores ligados à Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf). Na madrugada de ontem, outra fazenda do grupo, a Cedro, localizada em Marabá, foi invadida por 150 famílias.

A área já pertenceu à família Mutran e foi vendida para o banqueiro Daniel Dantas, assim como a fazenda Espírito Santo, invadida no sábado. Para ocupar a Cedro, os sem-terra quebraram as cercas de madeira e usaram as estacas para construir seus barracos. Eles prometem resistir à qualquer investida policial para desocupá-la. A maioria dos 85 mil bois das duas propriedades poderá ser levada para outras fazendas do grupo para não ser morta pelos manifestantes.

A fazenda Porto Rico, outra área adquirida pelo grupo de Dantas, estaria na lista do MST para ser ocupada nas próximas horas. O clima na região é de guerra, de acordo com policiais militares que circulam em viaturas próximo das propriedades, para evitar um confronto entre os lavradores e seguranças das fazendas invadidas.

Mendes

O coordenador do MST no Pará, Charles Trocate, disse que a invasão da Cedro foi uma resposta direta do movimento ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, para quem o repasse de recursos públicos ao MST seria "ilegal". O coordenador foi enfático: "Ilegal é a grilagem e a compra de terras públicas pelo Daniel Dantas. E isso o ministro não vê".

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