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02/01/2010 - 12h43

Cabral visita Ilha Grande e critica ocupação de encostas

Ilha Grande, RJ - O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), fez hoje pela manhã sua primeira visita ao local atingido pela tragédia que já causou 21 mortes na Enseada do Bananal, na Ilha Grande. Ele percorreu toda a extensão de cerca de 500 metros até o local do desmoronamento e acompanhou parte dos trabalhos de resgate da equipe de 85 bombeiros, na área que teve acesso restrito, próxima à pousada Sankay.

Durante a visita, Cabral recebeu um telefonema do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem conversou por cerca de 10 minutos, e do ministro da Integração Regional, Geddel Vieira Lima. Embora ressaltando não ter sido este o caso do desabamento no parque da Ilha Grande, Cabral fez um discurso exaltado contra a ocupação irregular de encostas e defendeu o que chamou de "radicalização" para retirar famílias que vivem em áreas de risco, fato que atribuiu a "décadas de populismo".

O governador disse que, somente em Angra, há 3 mil casas em áreas de risco. Cobrado sobre o fato de não ter visitado o local dos acidentes no dia da tragédia, o governador reagiu afirmando que não faz demagogia. "Qualquer exploração política disso chega a ser um deboche", declarou. Depois, dirigindo-se aos jornalistas indagou: "Estão querendo plantar que eu estava fora do País? Eu estava em Mangaratiba", declarou. "Eu não faço demagogia. Houve um tempo em que o governador tirava fotos ao lado de armas e granadas apreendidas e ao lado de traficantes, como se fosse o John Wayne da história", criticou.

Dois secretários do governo estadual estão na ilha desde a manhã do acidente: o de Saúde, Sérgio Cortes, e o de Obras, Luis Fernando Pezão. Na visita, que durou em torno de uma hora e meia, Cabral percorreu a ilha, abraçou e conversou com moradores.

O governador lembrou que quem legisla sobre o solo urbano são as prefeituras, mas afirmou que Estado e União devem ajudar.

Cabral disse que os bombeiros já identificaram a casa onde há suspeita do maior número de desaparecidos e o maior problema agora é encontrar essas pessoas. Ele lembrou, ainda, que a ocupação irregular não é o problema da Ilha Grande. "No início do meu governo, dobramos a área do parque da ilha e fomos criticados por isso, inclusive pela elite", comentou.

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