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04/01/2010 - 18h39

Bovespa sobe 2,12% e rompe marca dos 70 mil pontos

São Paulo - Os 70 mil pontos do índice Bovespa tão aguardados ao longo de todo o ano de 2009 esperaram o primeiro pregão de 2010 para chegar. O investidor começou o ano com apetite para as compras de ações. O fato de a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ter registrado em 2009 o melhor desempenho desde 2003 não intimidou aqueles que acreditam que os ativos possam se valorizar ainda mais. E o cenário externo só contribuiu neste primeiro pregão de 2010, com dados animadores da China, Europa e Estados Unidos. Como citou um operador, o ambiente de hoje fortalece o mesmo que já vem acontecendo nos últimos meses: preços de matérias-primas (commodities) em alta, dólar em queda, apetite ao risco.

O Ibovespa fechou esta segunda-feira com alta de 2,12%, aos 70.045,08 pontos, maior pontuação desde 5 de junho de 2008. O índice oscilou entre a máxima de 70.080,97 pontos e a mínima de 68.587,16 pontos. A alta em um mês é de 3,61% e no acumulado de 12 meses chega a 74,05%. O volume de negócios foi de R$ 5,25 bilhões hoje (dado preliminar).

O que impulsionou os preços das commodities e das ações ligadas a elas foi, logo cedo, a divulgação do índice HSBC China de gerentes de compra (PMI, na sigla em inglês), indicador da atividade da produção industrial nacional daquele país, que subiu para 56,1 em dezembro, de 55,7 em novembro - o maior desde abril de 2004. Dezembro foi o nono mês consecutivo em que o PMI foi maior que 50, pontuação que indica expansão da atividade industrial.

O mesmo PMI para o setor industrial da zona do euro subiu de 51,2 em novembro para 51,6 em dezembro, o maior nível em 21 meses, confirmando uma primeira estimativa publicada no mês passado. O resultado ficou em linha com as previsões de analistas consultados pela Dow Jones.

O dado contribuiu para que as principais bolsas europeias fechassem em forte alta no primeiro dia útil de 2010. Discursos de membros do Federal Reserve (Fed, banco central americano) sugerindo que um aperto monetário nos EUA ainda não aparece no horizonte também fortaleceram os índices europeus. Em Londres, o índice FT-100 subiu 87,46 pontos (1,62%) e fechou com 5.500,34 pontos. Em Paris, o índice CAC-40 avançou 77,64 pontos (1,97%) e fechou com 4.013,97 pontos. Em Frankfurt, o índice Dax-30 subiu 90,87 pontos (1,53%) e fechou com 6.048,30 pontos.

Nos Estados Unidos, o índice dos gerentes de compra sobre a atividade industrial subiu para 55,9 em dezembro, de 53,6 em novembro, superando a previsão de economistas de alta para 54,0, segundo dados do Instituto para Gestão de Oferta (ISM, na sigla em inglês). Trata-se da maior leitura desde abril de 2006.

Os gastos com construção dos EUA, no entanto, recuaram 0,6% em novembro, para a taxa anualizada e sazonalmente ajustada de US$ 900,08 bilhões, em comparação a outubro, de acordo com dados do Departamento de Comércio do país. Analistas consultados pela Dow Jones esperavam uma contração de 0,2%. Em relação a novembro do ano passado, os gastos recuaram 13,2%.

O principal índice da Bolsa brasileira se manteve em alta durante toda a sessão. Os papéis de bancos ficaram entre os destaques de ganhos. Para uma operadora especializada nesse segmento, a performance das ações do Itaú Unibanco e do Bradesco ficou abaixo do Ibovespa no ano passado, diferentemente do Banco do Brasil, cuja ação superou o ganho do índice. Como o ano virou e as perspectivas são boas daqui para a frente, isso pode explicar o salto na cotação das ações dessas duas instituições.

Entre as blue chips, Vale acompanhou a alta dos principais mercados e subiu na esteira da melhor perspectiva de consumo de metais por gigantes como a China. As ações ordinárias (ON) da companhia avançaram 4,02%, para R$ 51,49, enquanto as preferenciais (PN) tiveram alta de 3,13%, a R$ 43,52.

Petrobras, entretanto, registrou queda nos papéis com direito a voto (ON) em boa parte do pregão. Na avaliação de um profissional do mercado, o movimento pode ser uma correção depois da forte alta na ação no último pregão do ano. Há também quem acredite na incerteza regulatória que pesa sobre a estatal, pois a regulamentação do pré-sal ainda não foi aprovada pelo Congresso. Petrobras ON fechou estável, em R$ 41,65, enquanto a preferencial subiu 1,72% (R$ 37,32).

Os preços dos contratos futuros de petróleo para fevereiro tiveram alta de 2,66% em Nova York, para US$ 81,51 o barril, estimulados pelo frio intenso no Hemisfério Norte, que pode impulsionar o consumo de óleo de calefação, e pela queda na cotação do dólar.

As ações da PDG Realty, uma das quatro estreantes na carteira do Ibovespa válida entre hoje a abril, tiveram a maior queda neste primeiro pregão do ano. Após ficarem em leilão por cerca de 20 minutos, os papéis abriram em forte baixa e no final do dia tiveram um recuo de 5,48%, a R$ 16,40.

A incorporadora, controlada pelo fundo PCP, de ex-sócios do Banco Pactual, entre eles André Esteves e Gilberto Sayão, protocolou hoje pedido de oferta pública secundária de ações, que pode totalizar R$ 1,937 bilhão, considerando o exercício do lote suplementar e a cotação de R$ 17,35, no fechamento de 30/12/2009. A oferta faz parte do processo de venda das participações detidas pelos ex-sócios do Pactual, que é de 28,64%.

O fundo PCP foi criado após a compra do banco pelo UBS, em 2006. No ano passado, Esteves recomprou o Pactual, incluindo como parte do pagamento a dívida que os suíços ainda tinha com os demais sócios. Sayão ficou responsável pela gestão do PCP, mas optou por não permanecer como sócio de Esteves no novo BTG Pactual.

Entre as demais estreantes no Ibovespa, MRV ON registrou queda de 2,48%, a R$ 13,75, LLX ON recuou 1,38%, a R$ 9,97, e OGX ON apresentou ganho de 3,33%, para R$ 17,67.

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