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10/02/2010 - 19h04

Carnaval 2010: empresas lucram com ingressos no Rio

Rio - A ação de cambistas é comum perto de estádios em partidas decisivas do futebol e em locais de shows com ingressos esgotados, mas no carnaval do Rio, são empresas identificadas como agências de viagens que vendem as entradas para os desfiles das escolas de samba por preços que chegam a seis vezes o valor original oferecido pela Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa).

 

Empresas da cidade compraram ingressos para diversos setores da Marquês de Sapucaí pelo preço de tabela, usando CPFs de funcionários. As vendas por telefone começaram no dia 7 de janeiro e cada interessado só podia reservar quatro bilhetes, fazendo o pagamento em agências bancárias. Na Liesa, as entradas para domingo estão esgotadas desde o fim do mês e, para segunda-feira, restam apenas ingressos para o setor 09 - o mais caro, que custa R$ 550 na venda oficial.

 

Uma das empresas, identificada como JP Produções, que anunciou a venda dos ingressos em jornais do Rio, comprou mais de 200 entradas para os dois dias de desfiles com os nomes de 30 funcionários. A agência de viagens vende ingressos da arquibancada popular para o desfile de domingo, que custaram R$ 10 na venda da Liesa, por R$ 60. Uma cadeira no setor 06 de domingo, que pôde ser comprada por R$ 110 pelo telefone, é vendida pelo dobro do preço.

 

A advogada Mariana Ferraz, do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), disse que a venda das entradas por preços mais altos tem características que podem ser consideradas abusivas pelo Código de Defesa do Consumidor. "Isso me parece a mais pura atividade de cambista e, por isso, o Idec recomenda que o consumidor não faça esse tipo de compra", afirmou.

 

Empresas de Copacabana - bairro da zona sul que concentra grande parte dos turistas do Rio nesta época do ano - anunciam a venda em faixas e cartazes, com textos em inglês e em português. A JR Turismo cobra R$ 350 pelas entradas para o setor 13 no desfile de segunda-feira, vendidas por R$ 110 pela Liesa. Na RCE Tur, um ingresso para a arquibancada do setor 05 no desfile de domingo, cujo preço original era de R$ 240, custa R$ 500.

 

O dono da JP Produções, Jair Almeida Miranda, confirmou o esquema de compra e venda de ingressos para o carnaval, com o uso de CPFs dos funcionários. O responsável pela RCE Tur não foi encontrado e funcionários da JR Turismo informaram que a empresa não vai se pronunciar sobre o assunto.

 

Além das agências, pessoas físicas também anunciam a venda de entradas acima do preço oficial, mas alegam que fizeram a compra e desistiram de ir à Sapucaí. A Polícia Militar informou que não estabeleceu como prioridade impedir a ação de cambistas no entorno do Sambódromo, mas garantiu que vai intervir se houver confusões em alguma negociação.

 

Este ano, o número de policiais em ação no Estado do Rio durante o carnaval terá um aumento de 4,6% em relação a 2009, chegando a 51.087 agentes. De acordo com o tenente-coronel Henrique Lima Castro, as seis favelas que ficam no entorno do Sambódromo não serão ocupadas, mas 1.410 homens vão reforçar o policiamento na região da Marquês de Sapucaí.

 

A Guarda Municipal já começou os testes com a nova plataforma de observação que será usada para tentar impedir furtos e assaltos em locais como o Sambódromo, a Lapa e a orla. A torre de vigilância custou US$ 280 mil à prefeitura e pode ser erguida a uma altura de nove metros.

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