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12/02/2010 - 15h00

Carnaval 2010: Recbeat debuta com mix de tendências

São Paulo - O festival Recbeat comemora 15 anos mantendo a mistura de novas tendências e tradições. Uma das mais relevantes exposições para a música independente no País, o evento acontece nos quatro dias de folia de momo - de sábado a terça-feira, na terra do frevo e do maracatu: Recife (PE). As edições recentes do Recbeat chegam a reunir 30 mil pessoas em shows ao ar livre, gratuitos, que integram o calendário oficial do carnaval da capital pernambucana. "Não estou preocupado em mostrar coisas conhecidas, mas coisas com as quais o público pode se surpreender. O festival tem apoio público, é vendido no pacote de patrocínio da prefeitura, mas se mantém independente. O público sabe que vai ao Recbeat para ouvir coisas novas", diz o organizador e curador Antonio Gutierrez, o Gutie.

 

O Recbeat nasceu a partir das festas criadas por Gutie, no início dos anos de 1990, em bares alternativos e inferninhos de Recife, como o Franci's Drinks'. "Vivíamos um bom momento para a música daqui. Vinha gente de todo lugar para conhecer a cena de Recife, que, na verdade, era bem underground. Foi quando resolvi fazer uma festa com as bandas locais em Olinda durante o carnaval para aproveitar a chegada desses visitantes que vinham conhecer o som pernambucano. Era pago, para mil pessoas, sempre no início da noite", lembra. "O carnaval de Olinda sempre foi muito diurno e não havia muita coisa para fazer depois das 20h, então passou a ser uma opção. Era um público bacana, um som diferente, uma festa com bar e telão em um lugar bem agradável."

 

O projeto ganhou força e, em 1999, a secretaria de cultura convidou Gutie para transferir a festa para a capital, instalando-a na Rua da Moeda, no bairro conhecido como Recife Antigo, centro histórico da cidade. Gutie chamou uns amigos para abrir filiais de bares e restaurantes por perto, o que ajudou a dar um gás ao local. Em 2004, o festival ficou grande demais para a Rua da Moeda e teve de se mudar para o Cais do Porto, às margens do Capibaribe, cartão postal da cidade, "mas as pessoas ficaram por lá e criaram um espaço alternativo no Recife Antigo que existe até hoje", diz o curador.

 

No festival já tocou de Tom Zé a Bonde do Rolê. De algum tempo para cá, o foco foi ampliado para incluir a música ibero-americana e privilegiar bandas fora do eixo Rio-São Paulo, além da sempre efervescente cena pernambucana, como o samba requintado de Zé Manoel, que abre o evento, e a tradição moderna do Original Olinda Style - Eddie + Orquestra Contemporânea, que fecha o Recbeat deste ano na terça-feira gorda.

 

A programação de 2010 traz ainda os festejados Cidadão Instigado e Céu, mas a maior parte é de bandas brasileiras pouco conhecidas no País, como Caldo de Piaba, do Acre; e Gabi Amaranto, que leva ao carnaval de Recife o tecnobrega do Pará, além de música da Colômbia, da Espanha, da Argentina. "Nossa proposta é plural, multicultural. Não acho que o Recbeat seja uma alternativa, somos mais um complemento. Já ouvi muito que eu estava desvirtuando o carnaval, mas não é verdade. Não somos um festival de rock, não temos temas, temos climas", explica Gutie.

 

Atração

 

Para a paulistana e independente Stela Campos, que toca na segunda-feira, nem todo mundo quer maracatu e frevo o tempo todo. "O carnaval em Recife dura 24 horas, é um carnaval que não acaba nunca, então uma programação diferente não muda as coisas. Ninguém vai perder nada", considera. Stela é uma atração especial do Recbeat este ano. A cantora e compositora morou em Recife entre 1993 e 1999, no auge da cena Manguebeat. Foi para lá tocar em um festival nos anos de 1990, gostou e acabou ficando.

 

"Eu tinha uma banda, a Funziona Senza Vapore com o pessoal do Fellini. Gravamos uma fitinha k7, que só tinha duas cópias. Uma delas eu levei para Recife. O Chico (Science) era fã do Fellini e quando soube que tinha uma pessoa na cidade com um material da banda, ficou louco. A gente acabou fazendo shows juntos e ficando amigos. Em Recife era tudo na base da 'brodagem', dos panfletos de xerox. Fizemos um programa chamado Manguebeat na rádio Caetés, uma rádio bem popular, e virou líder de audiência. A gente inventava os anúncios, como o da Soparia do Roger, que era amigo e fingia que patrocinava o programa, dando 20 reais, que a gente gastava em conhaque", conta ela.

 

Stela vai mostrar as canções de "Mustang Bar", álbum lançado no ano passado, mas promete "um momentinho Recife", já que ela não se apresenta há dez anos na cidade. Vai cantar, por exemplo, a faixa "Criança de Domingo", da extinta banda Funziona e gravada por Chico Science e Nação Zumbi no disco "Afrociberdelia". "Vou fazer a versão do Funziona pela primeira vez em Recife", adianta. Outra surpresa no show de Stela pode ser a canção "Baile perfumado", de Fred 04 e gravada por ela para a trilha do filme homônimo do pernambucano Lírio Ferreira.

 

Voo internacional

 

Depois do carnaval, o Recbeat faz pela segunda vez uma edição paulistana no Sesc Pompeia, com o nome de Pompeia Beat. Três bandas pernambucanas e uma banda argentina estarão na programação entre 18 e 20 de fevereiro. Em julho, o festival faz seu primeiro voo internacional, no festival Ghent, da Bélgica, a convite do Cucamonga, programa de rádio que divulga músicas do mundo todo. Segundo Gutie, o convite internacional está se desdobrando e o Recbeat poderá ter edições também em outros países no verão europeu.

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