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16/02/2010 - 06h46

Carnaval 2010: Mangueira empolga público na Sapucaí

Rio de Janeiro - O som de sirene abriu o desfile da Mangueira. E 37 bailarinos, que trocaram a sapatilha pelo coturno, cercaram a bateria Surdo Um, com golpes de cassetete. Comandados pelo coreógrafo Carlinhos de Jesus, eles representaram a repressão do regime militar contra os músicos. E os ritmistas da escola foram literalmente aprisionados.

O efeito emocionante empolgou o público e foi o início de uma bela apresentação do enredo sobre a Música Popular Brasileira. De ponta a ponta, a escola cantou o samba. O cantor Emílio Santiago sintetizou a sensação dos componentes da verde e rosa: "A Mangueira desfilou empolgada. A escola sofreu uma oxigenação. É uma alegria tão grande, que há muito tempo a gente não sentia", disse o músico, numa referência velada aos problemas sofridos pela escola nos dois últimos anos, que incluíram uma investigação sobre associação com o tráfico de drogas, além do afastamento de um presidente e do mestre de bateria (Ivo Meirelles, que voltou como presidente neste carnaval).

A escola que já teve como enredo ícones da cultura brasileira, como Heitor Villa-Lobos (1966), Braguinha (1984), Dorival Caymmi (1986), Tom Jobim (1988) e Chico Buarque (1988), entre outros, desta vez contou a história da MPB. Os carnavalescos Jaime Cezário e Jorge Caribé decidiram começar a contar a evolução da música popular pelo morro, berço do samba, passando por movimentos como Bossa Nova, Jovem Guarda - o calhambeque, de Roberto Carlos, virou alegoria -, rock (havia alas com referência aos grupos RPM, João Penca e os Miquinhos Amestrados, Kid Abelha), Tropicália, e funk.

A Mangueira teve duas inovações importantes. Pela primeira vez, o casal de mestre-sala e porta-bandeira não saiu da comunidade. Raphael Rodrigues e Marcella Alves pertenciam à Mocidade. Raphael personificou Mestre Cartola, depois de receber uma máscara de látex e passar por uma hora e meia de maquiagem.

Funk

A outra novidade foi o funk, incorporado pela bateria a partir dos 52 minutos de desfile, quando o último carro - homenagem aos bailes funk - entrou na avenida, levando MCs como Rômulo Costa e o DJ Marlboro. "A Mangueira foi a primeira escola a trazer o funk para o samba. A gente fazia isso na quadra, nos ensaios. Só agora teve um presidente ousado para trazer para a avenida."

O enredo sobre a música popular atraiu para a escola nomes como o de Fernanda Abreu, que veio apresentando a escola ao lado de Emílio Santiago, Wanderléa e Alcione. Marcos Valle, Miéle, João Donato e Wanda Sá desfilaram no carro que representava o Beco das Garrafas, berço da Bossa Nova. Milton Nascimento e Sandra de Sá saíram na alegoria sobre os festivais.

Ivo Meirelles terminou a apresentação emocionado. "A Mangueira só perde para a Mangueira", disse. Ele espera que a escola não perca pontos por causa do princípio de incêndio no carro abre-alas, em frente ao Setor 2.

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