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18/02/2010 - 19h13

Homem que atacou casal no PR pega 65 anos de prisão

Curitiba - O juiz substituto da Vara Criminal de Matinhos, no litoral do Paraná, Rafael Luís Brasileiro Kanayama, condenou o auxiliar de serviços gerais Juarez Ferreira Pinto, de 42 anos, a 65 anos e cinco meses de reclusão em regime fechado, sob acusação de latrocínio contra o estudante Osíris Del Corso, de 22 anos, além de roubo qualificado e atentado violento ao pudor contra M.P.L., de 23 anos. Os crimes ocorreram em 31 de janeiro do ano passado, no Morro do Boi, localidade do balneário de Caiobá.

Ao publicar a sentença hoje, o juiz decretou segredo de justiça por considerar que há crime contra a dignidade sexual de M.P.L., que ainda se recupera de lesões na medula. Ela está fazendo exercícios fisioterápicos para voltar a andar. "A pena foi pesada, mas o fato foi pesado e a legislação é pesada para evitar crimes como esse", avaliou o advogado Elias Mattar Assad, assistente de acusação. Por ser crime hediondo, caso não haja reforma na sentença, Juarez precisará cumprir 26 anos de reclusão antes de ser beneficiado com progressão de pena.

O pai de Osíris, Sérgio Del Corso, estava em Roma, de onde conversou com a imprensa após contato telefônico feito pelo advogado. "Foi com emoção e alívio que recebemos o anúncio da sentença", afirmou. Sua mulher, Ana Zélia, disse que o alívio devia-se à certeza de que a "verdade prevaleceu". "Tentamos ficar com o consolo de que a justiça e a verdade prevaleceram, que a morte de meu filho não foi em vão, mas ajudou a retirar da sociedade esse elemento", afirmou.

M.P.L. está em João Pessoa (PB) recuperando-se das lesões. Por telefone, ela disse que gostou da decisão. "Fico mais tranquila porque ele está preso, não fará mais mal para mim", destacou. O principal argumento da acusação foi o reconhecimento que ela fez de Juarez. Por isso, M.P.L. salientou que está tranquila até em relação a um possível recurso da defesa. "Acho que ele não vai conseguir se livrar, a vítima reconheceu ele, está muito escrachado, acho que não tem mais o que acontecer", disse.

Um dos advogados de defesa de Juarez, Mário Lúcio Monteiro Filho, considerou "absurda" a sentença. Segundo ele, durante as alegações finais, já tinha se referido ao cerceamento de defesa e sugerido parcialidade do juiz. "Vamos recorrer ao Tribunal de Justiça e em seguida encaminhar um habeas corpus ao Superior Tribunal de Justiça para que seja decretada a nulidade do processo", reforçou. Ele também considerou absurda a decretação de segredo de justiça. "É um caso complexo que correu sem segredo e agora, na finalização, se decreta", criticou.

Juarez foi preso no dia 17 de fevereiro em razão da semelhança com o retrato falado feito por peritos do Instituto de Criminalística, a partir da descrição de M.P.L. A jovem foi contundente nos testes de reconhecimento feitos pela polícia, garantindo em todos os momentos que se tratava da pessoa que tinha atacado a ela e a seu namorado. Com base nesse depoimento e mesmo sem provas materiais contra o suspeito, o Ministério Público apresentou a denúncia acatada pela Justiça.

Durante as investigações, o caso quase sofreu uma reviravolta. Em junho, o vigia Paulo Delci Unfried, de 32 anos, foi preso sob acusação de atentado violento ao pudor contra outra moradora do litoral paranaense. Com ele, a polícia encontrou uma arma que, confrontada com os exames de balísticas realizados em Del Corso, apontou-a como sendo a utilizada no crime.

Indiciado em cinco inquéritos por assalto e estupro, ele chegou a confessar a autoria de mais este crime, mas perante o juiz voltou atrás, alegando que tinha sido torturado. Unfried disse que tinha emprestado a arma, embora não se lembrasse do nome completo da pessoa. Ele foi libertado a pedido do Ministério Público.

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