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25/02/2010 - 17h05

Aversão a risco afeta câmbio e dólar sobe a R$ 1,831

São Paulo - O dólar comercial subiu 0,27% hoje e fechou as negociações no mercado interbancário de câmbio a R$ 1,831, após oscilar entre a mínima de R$ 1,828 e a máxima de R$ 1,84. Faltando um dia útil para fechar o mês, o dólar acumula baixa de 2,86% em fevereiro. No ano, a variação é de +5,05%. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar à vista fechou o pregão desta quinta-feira a R$ 1,83, alta de 0,30%. O euro comercial subiu 0,40% e fechou a R$ 2,481.

"Um final de mês com os nervos à flor da pele por parte dos investidores. Sobram notícias ruins e os temores se acentuam." Assim o economista Sidnei Nehme, da NGO Corretora, definiu o clima dos mercados hoje. E o segmento doméstico de câmbio não ficou imune, com volatilidade acentuada pela proximidade da formação da taxa Ptax (amanhã), que liquidará os contratos futuros de dólares de março.

Pesou sobre o mercado de câmbio a fuga de investidores estrangeiros que tem se visto no Brasil não só hoje, mas nos últimos dias. "Há uma conduta de aversão ao risco que começou na Bolsa e se estendeu ao câmbio", disse Jorge Knauer, gerente de tesouraria do Banco Prosper. Ainda não há números oficiais sobre a saída de capital externo da Bolsa nos últimos dois dias, mas os dados informados hoje mostram que os investidores estrangeiros retiraram R$ 271,366 milhões da Bovespa na última terça-feira (dia 23). Com isso, o saldo de capital externo na Bolsa voltou a ficar negativo em fevereiro. No mês até o dia 23, as retiradas de estrangeiros totalizam R$ 102,177 milhões, resultado de compras de R$ 27,454 bilhões e vendas de R$ 27,556 bilhões. No acumulado do ano, o déficit de recursos estrangeiros na Bolsa se ampliou para R$ 2,201 bilhões.

No exterior, a Grécia segue na berlinda das preocupações, mas outras nações da Europa também inspiram apreensão sobre suas contas públicas. Depois da agência de classificação de risco Standard & Poor's alertar ontem que pode rebaixar os ratings de longo prazo da Grécia em uma ou duas notas no próximo mês, para próximo do nível "junk", a Moody's fez alerta similar. Além disso, o Wall Street Journal, citando cálculos do BNP Paribas, disse hoje que se a Espanha precisar de ajuda financeira, isso custaria muito mais do que para as outras nações do bloco - cerca de US$ 270 bilhões, contra US$ 68 bilhões da Grécia, US$ 47 bilhões da Irlanda e US$ 41 bilhões de Portugal.

Os indicadores norte-americanos conhecidos hoje tampouco trouxeram algum alívio aos mercados. O número de trabalhadores norte-americanos que entraram pela primeira vez com pedido de auxílio-desemprego subiu 22 mil, para 496 mil, após ajustes sazonais, na semana até 20 de fevereiro, enquanto os economistas esperavam queda de 13 mil pedidos. O número ofuscou a informação de que as encomendas por bens duráveis nos EUA subiram 3% em janeiro, para o nível sazonalmente ajustado de US$ 175,75 bilhões, superando a previsão de aumento de 1,5%. A alta, é bom salientar, foi puxada por encomendas de aviões comerciais, que saltaram 126% em janeiro, depois de queda no final de 2009. Excluindo bens relacionados ao setor de transporte, as encomendas caíram 0,6%, refletindo retração na demanda de maquinários.

O Banco Central brasileiro, que ontem à noite anunciou a reversão de estímulos criados no auge da crise financeira global, com a retirada de R$ 71 bilhões da liquidez do mercado por meio de mudanças nas alíquotas dos depósitos compulsórios dos bancos, realizou o rotineiro leilão de compra de dólares no mercado à vista nos momentos finais do pregão - até 15h49 - e fixou a taxa de corte das propostas em R$ 1,8338. As medidas que alteram o recolhimento compulsório, entretanto, não tiveram influência no mercado doméstico de câmbio hoje, segundo os operadores.

No segmento de câmbio turismo, o dólar subiu 0,89% para R$ 1,92 (venda) e R$ 1,807 (compra), em média. O euro turismo avançou 0,54% no dia e foi negociado em média a R$ 2,597 (venda) e R$ 2,44 (compra). No mês, o dólar turismo acumula baixa de 1,69% e o euro turismo, queda de 4,56%.

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