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25/02/2010 - 11h34

Bovespa abre em baixa com medidas do BC

São Paulo - O dia deve ser novamente de ajuste negativo na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o que reflete não apenas o mau humor externo, mas também as alterações nos compulsórios bancários, anunciados ontem pelo Banco Central (BC). Às 11h21, o índice Bovespa (Ibovespa) caía 1,71%, para 64.666 pontos.

O impacto da reversão dos estímulos monetários do BC aparece com mais nitidez nos papéis dos bancos. Para eles, a medida é negativa, porque restringe a liquidez no sistema financeiro. "Os bancos terão menos recursos para destinar ao crédito. Na prática, a taxa Selic não sobe, mas o spread (diferença entre as taxas de captação e de as de empréstimos) tende a aumentar para o tomador final, com o aumento do custo de captação", afirma o sócio gestor da Humaitá Investimentos, Márcio Macedo.

Com a medida tomada ontem, o governo deseja justamente esfriar a demanda por crédito, para evitar o risco de inflação. O BC vai recolher R$ 71 bilhões dos R$ 99,8 bilhões injetados no sistema financeiro em 2008 em depósitos compulsório para irrigar os bancos.

Do ponto de vista do mercado de juros, a mudança tende a afastar a aposta de alta da Selic (a taxa básica de juros da economia) em março. Hoje, dois indicadores divulgados reforçam que o BC pode ter que agir em abril. O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) subiu 1,18% em fevereiro, enquanto a taxa de desemprego avançou em janeiro para 7,2%.

No caso do Banco do Brasil (BB), a reação ao compulsório pode ser encoberta pelo balanço divulgado hoje. O BB se consolidou no quarto trimestre do ano passado como a maior instituição financeira do Brasil. O volume de ativos do banco federal, que em dezembro de 2009 somava R$ 708,549 bilhões, supera em pouco mais de R$ 100 bilhões o segundo colocado, o Itaú Unibanco. Em 2009, o BB registrou lucro contábil de R$ 10,148 bilhões, uma alta de 15,3% na comparação com igual período do ano anterior. O lucro recorrente foi de R$ 8,506 bilhões, um avanço de 27,2% na comparação com 2008.

Além do BB, outras empresas de porte anunciaram resultados. Usiminas teve lucro líquido de R$ 633 milhões no quarto trimestre, com queda de 32% ante o mesmo período do ano passado. Em 2009, o lucro líquido também apresentou queda, de 58%, para R$ 1,344 bilhão.

Já a siderúrgica Gerdau mais que dobrou o seu lucro líquido no quarto trimestre de 2009, passando de R$ 311 milhões no mesmo trimestre de 2008 para R$ 643,5 milhões. No acumulado do ano, no entanto, o lucro apresentou queda de 79,6%, para R$ 1,005 bilhão, ante R$ 4,945 bilhões em 2008. Ontem à noite, a Natura registrou lucro líquido consolidado no quarto trimestre do ano passado de R$ 186,6 milhões, crescimento de 34,7% sobre igual período de 2008.

No exterior, o temor em relação à Grécia, após alertas das agências de rating (classificação de risco) mantém as bolsas internacionais sob pressão, na medida em que renovam as preocupações com a situação fiscal de países da zona do euro. Nos Estados Unidos, os dados de pedidos semanais de auxílio-desemprego contrariaram as expectativas e registraram alta de 22 mil solicitações. Já as encomendas por bens duráveis subiram 3% em janeiro, acima da previsão dos economistas.

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