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24/03/2010 - 19h35

Policiais acusados de matar jornalista vão a julgamento

Araçatuba - O Quinto Tribunal do Júri, de São Paulo, inicia amanhã o julgamento de quatro dos cinco acusados pelo assassinato do jornalista Luiz Carlos Barbon Filho, de 37 anos, morto com dois tiros de espingarda calibre 12 na noite de 5 de maio de 2007, na cidade de Porto Ferreira, a 228 quilômetros da capital paulista.

Barbon, que foi morto por fazer denúncias nos jornais da cidade contra a PM, estava no Bar das Araras quando dois homens vestidos com roupas pretas e encapuzados chegaram numa moto, e o que estava garupa se aproximou dele e disparou dois tiros à queima roupa. Atingido na perna e no abdômen, Barbon foi socorrido, mas não resistiu.

Dos cinco acusados pela morte do jornalista, todos presos, quatro são PMs e um é comerciante. Na sessão do tribunal, que começa às 9 horas, vão a júri o sargento Edson Luís Ronceiro, o capitão Adélcio Carlos Avelino, o soldado Paulo César Ronceiro e o comerciante Carlos Alberto da Costa. O outro acusado, o soldado Valnei Bertoni, conseguiu por meio de uma liminar adiar a data de seu júri.

A sessão do tribunal será presidida pelo juiz Cassiano Ricardo Zorzi Rocha, a acusação ficará a cargo do promotor André Luiz Bogado da Cunha. Os acusados irão a júri popular pelos crimes de homicídio qualificado, tentativa de homicídio e formação de quadrilha. As sete pessoas que formarão o conselho do júri, responsável por julgar o caso, serão escolhidas entre 25 pessoas convocadas, momentos antes do início da sessão.

A expectativa do Ministério Público é de que a sessão deve durar de dois a três dias. O promotor explicou que o jornalista foi morto quando denunciada policiais envolvidos junto com vereadores nos crimes de abuso sexual contra menores da cidade. Um dos vereadores denunciados é primo do soldado Carlos Alberto e do sargento Edson Ronceiro. Já o capitão, na opinião do promotor, foi o comandante da ação, uma vez que era muito criticado nas matérias escritas por Barbon no jornal local. "Com certeza, se trata de um crime contra o jornalista, seria uma censura imposta nem que fosse com a morte".

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