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14/04/2010 - 19h50

Paes não convence governo a liberar mais verbas

Brasília - Após um dia de peregrinação por gabinetes de Brasília, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, não conseguiu convencer o governo federal a abrir uma exceção por causa dos estragos das enchentes e a liberar verbas para antigas obras de infraestrutura. Em entrevista no final da tarde, Paes tentou esconder a frustração, agradeceu pelo repasse de recursos para ações emergenciais e atacou, sem dar nomes, os "picaretas" da cidade que estariam dificultando a remoção dos moradores de áreas de risco. Por fim, admitiu que errou no trabalho de prevenção de deslizamentos que resultaram na morte de 66 pessoas nos morros cariocas. Foram 251 mortos em todo o Estado.

O governo federal só admitiu a liberação, nos próximos dias, de R$ 90 milhões para obras emergenciais, como limpeza e dragagem e contenção de encostas. Eduardo Paes estima que serão precisos outros R$ 160 milhões para compensar os estragos. Ele ainda entregará à Defesa Civil relatórios para garantir a liberação dos R$ 90 milhões.

Quanto às obras de infraestrutura, um ministro disse que o governo não vai desrespeitar a legislação e o Tribunal de Contas da União (TCU) e alterar o cronograma de repasses de verbas para ações que não estão caracterizadas como emergenciais. Nas contas do prefeito, essas obras estruturantes, previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), representam cerca de R$ 450 milhões. Uma delas é a reforma da Praça da Bandeira, área que sofre alagamentos em períodos de chuva. O governo federal avisou, no entanto, que este projeto é um problema de décadas da cidade e que não foi resolvida por falta de empenho principalmente dos governantes da cidade e do Estado.

Remoções

Eduardo Paes disse que, no próximo final de semana, conseguirá remover quatro mil desabrigados do Morro do Urubu, um dos mais atingidos pelas tempestades, para casas já construídas por um projeto municipal em Realengo. Essas pessoas vão receber R$ 600 de subsídio do governo federal por mês para pagar a prestação das casas.

Irritado, o prefeito comentou a dificuldade de retirar famílias dos morros. "Os reassentamentos estão em andamento. Espero que os picaretas demagogos de plantão que não apareceram durante a chuva não reapareçam agora que o sol está colocado", disse. "Estou pensando em tirar foto (dos picaretas que aparecerem) e colocar num quadro para que, se impedirem o reassentamento das pessoas, quando morrerem essas pessoas, eles apareçam e assumam suas responsabilidades".

Eduardo discordou de um comentário de que estaria colocando a culpa em anônimos "picaretas" para minimizar uma crítica geral da falta de ação da prefeitura em remover famílias de morros. Ele admitiu a "ineficiência" do poder público, incluindo a prefeitura, que não fez os investimentos necessários.

Questionado se havia errado na falta de medidas preventivas, o prefeito respondeu: "Eu acho que quando você tem ineficiência... estou há um ano na prefeitura... neste ano eu poderia ter feito mais do que fiz. Então, quando a gente soma o problema do tempo com a ineficiência do poder público... eu sou o poder público, o prefeito da cidade."

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