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19/04/2010 - 16h48

Padre preso por pedofilia pode ser colocado em liberdade

Maceió - O advogado Edson Maia disse que vai entrar na Justiça com um pedido de habeas-corpus para colocar em liberdade o monsenhor Luiz Marques Barbosa, 83 anos, preso ontem à noite, após prestar depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga casos de pedofilia no Brasil. Marques foi acusado de abusar sexualmente de ex-coroinhas que trabalhavam com ele na Paróquia de São José, em Arapiraca, no Estado de Alagoas. A prisão preventiva foi decretada pelo juiz Rômulo Vasconcelos, a pedido do presidente da CPI da Pedofilia, senador Magno Malta (PR-ES).

O advogado de Marques disse que o religioso já é idoso, tem residência fixa, não representa risco para as investigações e é réu primário, por isso teria direito a responder ao crime em casa. Luiz Marques está preso no quartel do 3º Batalhão da Polícia Militar. De acordo com o comandante do Batalhão, o tenente-coronel Marcos Sampaio, Marques passou a noite em uma cela especial e hoje pela manhã recebeu a visita de parentes. Ele tem direito a cela especial porque é oficial da reserva da PM de São Paulo, onde atou com capelão.

De acordo com o senador Magno Malta, a prisão tem como objetivo evitar que o religioso interfira nas investigações, não intimide os ex-coroinhas, nem deixe o País antes da conclusão dos trabalhos. "Nós descobrimos que ele tirou um passaporte recentemente. Por isso, decretamos a prisão dele", afirmou o magistrado.

Também foram presos o motorista José Reinaldo e a empregada Maria Isabel, que trabalhavam para o monsenhor. Os dois empregados foram presos por falso testemunho. Ele teria mentido para proteger o religioso, em depoimento à CPI da Pedofilia.

Antes de ser levado para o quartel, onde está preso, Marques concedeu entrevista à imprensa e se disse surpreso com a prisão. "Eu tirei esse passaporte em janeiro, quando essa denúncia ainda não tinha vindo à toma. Como então eu estava me preparando para fugir?", questionou o religioso. Em seu depoimento à CPI, Marques assumiu o "erro que cometeu" e pediu "perdão aos fiéis". Mas repetiu várias vezes que não era pedófilo. Quando perguntado pelo presidente da CPI se era homossexual, ele disse que preferia não responder a pergunta.

Confissão

Também prestaram depoimento o monsenhor Raimundo Gomes, 52 anos; o padre Edílson Duarte, 43 anos; e o padre alemão Bennedikt Lennartz, pároco do município de Craíbas, que fica na região de Arapiraca. O padre Edílson foi o único que confessou ter abusado sexualmente dos ex-coroinhas. Ele começou o depoimento negando as acusações, mas depois decidiu colaborar, em troca da delação premiada. Edílson confirmou as acusações que os ex-coroinhas fizeram contra os monsenhores e disse que o bispo diocesano de Penedo, dom Valério Brêda, sabia de tudo e não fez nada para impedir.

Dom Valério Breda se colocou à disposição da CPI da Pedofilia, por meio de uma carta encaminhada ao presidente da Comissão, mas não pode comparecer à audiência em Arapiraca porque estava viajando. O senador Magno Malta disse que dom Valério pode ser convocado para depor na CPI em Brasília. O bispo de Penedo foi quem afastou os três religiosos das paróquias de Arapiraca, quando o escândalo ganhou repercussão nacional e chegou ao conhecimento do Vaticano. Desde meados de março, que os dois monsenhores e o padre Edílson estão proibidos de exercer o sacerdócio.

Mais envolvidos

Segundo Magno Malta, o monsenhor Raimundo Gomes não foi preso porque não tinha uma prova cabal contra o religioso e não foi encontrado nada comprometedor em sua residência. Durante o depoimento à CPI, Raimundo negou as acusações do ex-coroinha Anderson e chegou a discutir com a mãe do rapaz, que lhe acusava de pedófilo.

O monsenhor, que está afastado da paróquia de Nossa Senhora do Carmo, confirmou que pagava a escola do ex-coroinha e que cortou a ajuda quando Anderson deixou de trabalhar para ele. O ex-coroinha disse que era abusado pelo religioso desde os 14 anos.

Já o padre alemão Benedikt Lennartz, que foi denunciado na semana passada pelo Ministério Público Federal por pratica de pedofilia na internet, negou as acusações. Ele disse que quem usava o seu computador para receber e enviar fotos pornográficas de crianças e adolescentes era um ex-coroinha seu, que depois de formado passou a trabalhar para ele como contador. "Esse ex-coroinha se aproveitou da minha confiança, usou o meu cartão de crédito para fazer assinatura de sites pornôs e montar um site só para exibir fotos comprometedoras de crianças", acusou o alemão, sem dar maiores detalhes a respeito do seu ex-coroinha.

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