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23/04/2010 - 06h42

Mais uma noite de violência na Baixada Santista

São Paulo - Um suposto toque de recolher vem tirando o sossego de moradores de regiões periféricas de cidades da Baixada Santista. Para reforçar o policiamento, viaturas das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), da Polícia Militar, deixaram a capital para realizar patrulhamento ostensivo na Baixada.

Uma mulher, identificada como Alessandra Aparecida Matos Madeira, de 29 anos, foi baleada por desconhecidos, por volta das 2h desta sexta-feira, 23, na esquina das ruas Alaor Rodrigues e Lacerda Franco, no bairro de Aparecida, em Santos, cujas ruas, desde o anoitecer, começaram a ficar desertas em razão de boatos de que bandidos teriam decretado o toque de recolher.

Em relação ao homicídio, a polícia informou que dois homens em uma moto teriam sido vistos por testemunhas deixando o local após os tiros. Mesmo levada para o pronto-socorro da zona leste, Alessandra, que mora no mesmo bairro, não resistiu aos ferimentos e morreu. Até as 3h45, nenhum parente dela havia comparecido no 3º Distrito Policial, da Ponta da Praia.

Cubatão

Entre as 20h e o final da noite de quinta-feira, 22, sete pessoas foram baleadas na cidade de Cubatão. Todos os casos foram registrados na delegacia sede da cidade. O primeiro correu na Rua Cubatão, no bairro Caraguatá, onde um homem foi baleado em uma perna. Às 21h45, outra pessoa do sexo masculino foi baleada também em uma das pernas, na Rua Piauí, no bairro Santa Rosa. Uma hora depois, na Rua Antonio Lemos, na Vila Couto, atiradores feriram um casal, que foi encaminhado ao pronto-socorro do Hospital Modelo. Já no final da noite, funcionários do Hospital Nove de Abril, região central da cidade, ligaram para a Polícia Militar informado que dois homens haviam dado entrada no pronto-socorro vítimas de disparos de arma de fogo e que os tiros teriam ocorrido a menos de 100 metros da unidade.

São Vicente

Na madrugada de quarta-feira, 21, quatro pessoas foram mortas a tiros, em pouco mais de uma hora, em dois bairros vizinhos. Eram 3h55 quando policiais militares foram acionados por moradores da Rua Pérsio de Queiroz Filho, no bairro Catiapoã. Ao chegarem no local, encontraram dois homens baleados e mortos, na altura do nº 1.138. Uma hora depois, na Rua Lourival Moreira do Amaral, no Parque São Vicente, pelo menos duas pessoas foram atingidas por disparos de arma de fogo e encaminhadas para o pronto-socorro do Centro de Referência em Emergência e Internação (Crei), onde uma delas morreu. Às 5h05, viaturas da PM foram até a esquina da Rua Catarina de Moraes com a Rua Frei Gaspar, também em Catiapoã. No local, outro homem havia sido baleado e já estava morto. Até as 6h16 desta manhã, nenhuma das vítimas estava identificada pela polícia nem suspeitos haviam sido detidos. Os dados dos três crimes foram encaminhados para o plantão do 1º Distrito Policial de São Vicente.

Guarujá

Um suposto toque de recolher deixou as ruas do Guarujá, na Baixada Santista, pouco movimentadas na noite de segunda-feira, 19. Parte do comércio fechou mais cedo e escolas suspenderam as aulas. A Polícia Civil afirma que houve apenas uma "boataria de toque de recolher", mas apura o envolvimento do Primeiro Comando da Capital (PCC) com o fato e também a ligação da facção criminosa com a onda de violência que atinge a cidade desde a noite de domingo.

Seis pessoas foram mortas, entre elas um policial militar, e duas estavam internadas após terem sido baleadas. Um homem que divulgava a informação de que haveria outro toque de recolher foi detido na terça-feira, 20. Também na terça-feira, outro homicídio também praticado por dois indivíduos de moto aconteceu em plena luz do dia, quase em frente ao 2º Distrito Policial do Guarujá. O comerciante Fabio Luiz Basílio, de 31 anos, foi atingido com pelo menos seis tiros de fuzil no final da manhã, em frente a uma agência bancária.

A onda de violência teve início às 18h45 de domingo, 18, com o assassinato do policial militar da Força Tática Paulo Raphael Ferreira Pires, de 27 anos, que estava de folga. Ele foi morto com dez tiros de fuzil disparados por dois motoqueiros que cercaram seu carro em um semáforo no distrito de Vicente de Carvalho, periferia do Guarujá. A partir daí, ocorreu uma sequência de quatro homicídios e duas tentativas até a madrugada de segunda-feira. Todas vítimas eram homens, maiores de idade e estavam em Vicente de Carvalho. Apenas uma delas tinha passagem pela polícia.

O delegado titular do 2º Distrito Policial de Vicente de Carvalho, Josias Teixeira de Souza, acredita que tanto os homicídios como os boatos de toque de recolher estão relacionados. Segundo ele, em um primeiro momento, a polícia trabalhou com a hipótese de que os crimes teriam sido praticados por um grupo de extermínio, que estaria agindo para vingar a morte do PM, porém a Polícia Civil agora acredita que os crimes tenham sido praticados por uma facção criminosa.

"O modus operante é completamente diferente (do utilizado por grupos de extermínio). O crime organizado está fazendo isso porque é uma guerra. Em uma guerra, cada exército usa as suas técnicas de guerra. A polícia usa a técnica dela, que é esclarecer, ir lá e prender. Eles usam o terror", disse o delegado, que trabalha com a hipótese de o PCC estar se vingando da prisão de uma quadrilha de 10 elementos ocorrida em março, que seria comandada por um "diretor" da facção.

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