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10/05/2010 - 16h59

Dólar cai a R$ 1,773, maior queda em quase 18 meses

São Paulo - A decisão dos líderes europeus de sair em defesa da moeda única do bloco ontem, com um pacote de quase US$ 1 trilhão, garantiu a busca pelos ativos emergentes hoje e, acima de tudo, abriu espaço para a realização de lucros depois da forte valorização do dólar na semana passada, em que prevaleceu o temor de que um calote com "efeito dominó" na Europa levasse consigo boa parte do sistema financeiro. Depois da alta de 6,44% ante o real na semana passada, o dólar hoje já abriu em queda de 3,41% e fechou com recuo de 4,11% no mercado interbancário de câmbio - maior queda porcentual desde 24 de novembro de 2008, quando caiu 5,52% - , a R$ 1,773, na mínima do dia, enquanto o dólar com liquidação à vista fechou a R$ 1,777, recuo de 3,87% na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F).

Como avaliaram os economistas da Gradual Investimentos, "este pacote não se resume a apenas dinheiro - isto é o que menos importa, na verdade. O relevante aqui é a sinalização inequívoca que irão fazer todo o possível para garantir a perpetuidade daquela moeda e da sua área de comércio comum. Ao assinarem o acordo de criação da moeda única estava implícito que seria na alegria e na tristeza, na saúde ou na doença", apontaram, em relatório.

O fato é que, com o temor de um calote afastado, o investidor passou a vender dólar e iene e a comprar euro, moedas de emergentes como o real, ações e commodities. "O plano desafoga o risco de contágio", afirma Carlos Allievi Júnior, gestor da Infinity Asset, que pondera, no entanto, que, "ainda não se sabe como o pacote será pago" e lembra que ainda pairam muitas dúvidas sobre a eficácia do programa de ajuda acertado ontem.

Por isso, ele acha que "ainda é cedo para dizer" se as captações externas por empresas brasileiras, interrompidas desde o final de abril, voltarão com força. A questão de como o pacote será pago também é levantada pelos economistas da Gradual. Eles lembram que, diferentemente dos EUA, os europeus não têm dólar, mas euro. "Isto quer dizer que o apetite por dívida soberana da zona do euro não é o mesmo que pelos sólidos papéis do Tesouro norte-americano", ponderam. Para os economistas da Gradual, "a administração da moeda é uma arte delicada e agora é a vez do Banco Central Europeu, juntamente com os ministros das finanças da França e Alemanha, mostrarem serviço."

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