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20/05/2010 - 18h55 / Atualizada 20/05/2010 - 19h14

Aluno de escola rural tem desempenho inferior à média

Brasília - Alunos de escolas rurais do País apresentam desempenho em matemática 18% inferior à média nacional, restrita ainda às escolas das áreas urbanas. Só neste ano, o índice oficial passará a incluir - e parcialmente - alunos que não estudam nas cidades. Pesquisa encomendada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também identificou desempenho de português 6% abaixo da média nacional.

Junto com o baixo desempenho, a pesquisa encontrou condições precárias nas escolas do campo: a maioria dispõe apenas de quadro negro e giz como recurso pedagógico. Computadores inexistem em 66% da amostra pesquisada.

"Existe um diagnóstico grave: a maior desigualdade na educação não é entre homens e mulheres, entre brancos e pretos, ou entre o Nordeste e o Sudeste, mas entre a área urbana e a área rural", disse André Lázaro, secretário de educação continuada, alfabetização e diversidade do MEC.

Somente a partir deste ano, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) passará a refletir o desempenho de uma parcela das escolas do campo: cerca de 10% dos 4,9 milhões de alunos da área rural. Os alunos matriculados em escolas do campo somam aproximadamente 10% do total de matrículas do ensino básico no país.

A expectativa do MEC é a de que o índice geral fique entre 4,4 e 4,5, pouco acima do índice obtido em 2007, de 4,2. Esse resultado já repercutiria, ainda que parcialmente, os resultados do índice de aprendizagem do ensino rural. "A diferença de desempenho não é proporcional à diferença das condições dessas escolas. Eu temia que a diferença fosse maior", observou o secretário André Lázaro.

'Morte cultural'

O Estudo Nacional das Escolas Rurais, patrocinado pela CNA, pesquisou uma amostra de escolas com classes chamadas multisseriadas, que reúnem alunos de idades e séries diferentes. O Ibope aplicou a Prova Brasil em um grupo de alunos de 50 escolas localizadas em dez Estados.

"Temos um cenário de pobreza e esquecimento", resumiu a presidente da confederação, senadora Kátia Abreu (DEM-TO). "O que estamos oferecendo a essas crianças é a morte cultural."

De acordo com a pesquisa, feita pelo Ibope e pelo Instituto Paulo Montenegro, 70% das escolas rurais não dispõem de biblioteca e 38% dos alunos pesquisados (a maior fatia) têm apenas entre um e cinco livros em casa.

Às condições precárias das escolas, somam-se a falta de assistência e acompanhamento dos pais nos deveres de casa. A pesquisa mostra que quase 70% dos pais não completou a 8ª série. Entre os alunos, 49% já foi reprovado ao menos uma vez.

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