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21/07/2010 - 16h58

Dólar encerra na máxima em reação à fala de Bernanke

São Paulo - Somente após a fala do presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, no Comitê Bancário do Senado, o dólar comercial passou a subir e fechou na taxa máxima do dia, com alta de 0,62% a R$ 1,785 no mercado interbancário de câmbio. No mês, a moeda acumula queda de 1,05% e no ano, alta de 2,41%. Na BM&F, o dólar negociado à vista encerrou a sessão com avanço de 0,61% a R$ 1,7842. O euro comercial caiu 0,31% para R$ 2,278.

Após a fala do executivo, as bolsas de Nova York aprofundaram as quedas e o dólar firmou-se no campo positivo ante o real, depois de uma manhã em que oscilou entre os dois extremos. Bernanke afirmou que a perspectiva para a economia americana é "anormalmente incerta" e que ainda espera que os juros no país fiquem baixos por um período prolongado. Mas a parte do discurso que mais motivou a compra de dólares, segundo os profissionais, foi a de que o Fed está "preparado para tomar mais medidas se necessário".

Até então, segundo operadores, o dólar não se definia justamente pela ausência de notícias ou indicadores que afetassem seu preço e pela expectativa com as declarações do presidente do Federal Reserve. Localmente, as atenções também estão voltadas para o segundo dia de reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que mais tarde informará a taxa básica de juros para a economia brasileira.

Após a fala de Bernanke, o reflexo nas moedas foi quase que generalizado. "Houve uma reação global nas moedas, o mercado se assustou com essa declaração de que o Fed está pronto para tomar mais medidas", apontou André de Carvalho Ferreira, diretor da Corretora Futura.

Outros fatores, entretanto, já contribuíam para a queda do euro antes do discurso, como a fraca demanda para alguns leilões de títulos de dívida soberana. Além da ansiedade com o resultado dos testes de estresse com os bancos, que será conhecido na sexta-feira, um leilão de títulos de Portugal teve demanda mais fraca e yield (taxa de retorno) mais alto que a operação anterior feita pelo país. Na Alemanha, pela segunda vez, um leilão de bonds teve demanda inferior à oferta e, na Espanha, o Senado rejeitou o plano de cortes de gastos proposto pelo primeiro ministro e o projeto terá que ser votado novamente. Perto das 16h40, o euro recuava para US$ 1,2765, de US$ 1,2887 no final da tarde de ontem em Nova York, enquanto o dólar caía para 87,01 ienes, de 87,38 ontem em Nova York.

De volta ao mercado local, os dados do Banco Central mostraram que o fluxo cambial permanece negativo, sinal de que a reabertura das captações externas este mês pode estar acontecendo em um ambiente de saída mais intensa de recursos e, por isso, não reverte o quadro. O País perdeu US$ 795 milhões na terceira semana de julho, entre os dias 12 e 16. Com esse saldo, o fluxo da moeda estrangeira acumula saída líquida de US$ 2,031 bilhões nas três primeiras semanas de julho. Na semana passada, a saída de recursos se concentrou no segmento financeiro, que registrou saldo negativo de US$ 1,167 bilhão. No acumulado do mês, o fluxo financeiro amarga saída de US$ 1,829 bilhão.

O Banco Central manteve a prática de adquirir moedas no mercado spot (à vista), mas vem reduzindo consideravelmente os volumes enxugados. Foram US$ 116 milhões na semana passada, entre os dias 12 a 16. No acumulado de julho, o montante adquirido para reforçar as reservas alcança US$ 634 milhões, uma média diária de US$ 39,62 milhões, valor que equivale a menos da metade do observado em junho, quando a média diária comprada pela autoridade monetária foi de US$ 91 milhões.

Hoje o Banco Central fez leilão para compra de dólar no mercado à vista entre 15h46 e 15h56 e fixou taxa de corte das propostas em R$ 1,7810.

Nas operações de câmbio turismo, o dólar caiu 0,74% e foi negociado em média à 1,8730 na ponta de venda e a R$ 1,76 na compra. O euro turismo cedeu 0,41% para R$ 2,4030 (venda) e R$ 2,21 (compra).

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