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23/08/2010 - 18h40

Prefeitura de Salvador inicia derrubada de barracas

Salvador - A derrubada das 352 barracas de praia de Salvador, determinada pela Justiça Federal no fim de julho, foi iniciada na manhã de hoje no trecho da orla mais frequentado pelos turistas, as praias do Flamengo e de Stella Maris, no norte da cidade.

A ação, que cumpriu decisão do juiz da 13ª Vara Cível Federal, Carlos D'Ávila Teixeira, teve início às 6 horas da manhã e contou com a participação de técnicos e funcionários da Superintendência de Uso e Ordenamento do Solo do Município (Sucom), auxiliados por policiais federais, militares e integrantes da Guarda Civil Metropolitana.

A primeira praia que teria as barracas demolidas, Ipitanga - que marca a divisa com o município de Lauro de Freitas -, porém, foi poupada da ação. Apesar de pelo menos metade das barracas instaladas no local estar na área de Salvador, elas são cadastradas na cidade vizinha.

Mandado

A prefeita do município da região metropolitana, Moema Gramacho, entrou com um mandado de segurança contra a derrubada e foi pessoalmente explicar a situação aos responsáveis pela demolição. Acabou convencendo-os a postergar a ação, enquanto a situação legal desses estabelecimentos não for definida.

Com o adiamento da derrubada das barracas da Praia de Ipitanga, alguns dos estabelecimentos mais famosos da orla de Salvador, como as Barracas Marguerita e Barraca do Lôro, na Praia do Flamengo, foram os primeiros a ser derrubados. A ação das escavadeiras causou tristeza entre as centenas de funcionários dos estabelecimentos e curiosos que acompanhavam a operação.

"A gente sabia da decisão da Justiça, mas esperava alguma solução", conta a cozinheira Nilma Castro Souza. "Trabalho aqui há 12 anos, tenho oito filhos, meu marido é autônomo, como vou fazer agora?", disse a encarregada de cozinha Cássia Miranda Santos.

Manifestação

A falta de alternativas para os barraqueiros e seus cerca de 3 mil funcionários foi o motivo para uma série de manifestações e barricadas feitas na Praia de Patamares - que deve ter suas barracas demolidas em até dois dias.

Proprietários dos estabelecimentos e trabalhadores interditaram, por diversas vezes ao longo do dia, o trânsito na Avenida Octávio Mangabeira, que margeia a orla. Para impedir a passagem de veículos, os manifestantes atearam fogo em cadeiras e mesas plásticas. "Já investi mais de R$ 700 mil na barraca, quem vai arcar com o prejuízo?", questiona o empresário Massimo Pascucci.

Os barraqueiros também ameaçam processar a prefeitura, por ação indenizatória, pela derrubada dos estabelecimentos. "Eles tinham alvará para funcionar, por isso estavam ali", justifica a advogada Rita Martins. A Prefeitura informa que ainda não há um projeto alternativo para as barracas, mas que está estudando a situação.

À tarde, o prefeito João Henrique Carneiro divulgou um comunicado no qual informou ter pedido ajuda, por meio de ofício, aos governos estadual e federal para ajudar a encontrar uma solução. A estimativa da prefeitura é que as barracas sejam demolidas em duas semanas. Amanhã, os trabalhos devem ser iniciados pela Praia de Itapuã.

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