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31/08/2010 - 16h43

Produção industrial recoloca juros no rumo de queda

São Paulo - Os juros futuros reencontraram a trajetória de declínio graças ao resultado da produção industrial brasileira de julho que, embora tenha voltado a subir após três meses de contração, ficou abaixo da mediana das expectativas dos analistas. Como se esperava, os números da indústria divulgados pelo IBGE não alteraram a convicção do mercado em relação à estabilidade da Selic em 10,75%, que deve ser divulgada ao final do encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) amanhã, mas espremeram prêmios dos contatos de médio prazo, ao ampliarem as apostas de que não haverá necessidade de retomada de aumento da taxa básica no próximo ano.

Ao término da negociação normal da BM&F, o contrato de depósito interfinanceiro (DI) de outubro de 2010 (563.330 contratos negociados hoje), o primeiro a vencer após a decisão do Copom de amanhã, projetava 10,658%, ante 10,67% ontem; e o DI de janeiro 2011 (96.720 contratos negociados) estava na mínima de 10,69%, de 10,70% no ajuste anterior. Mas os recuos mais expressivos foram registrados nos vencimentos de janeiro de 2012 (257.825 contratos negociados), que desabou de 11,41% para 11,27% (mínima), e o DI de janeiro de 2013 (118.390 contratos negociados), de 11,58% para 11,49% (mínima).

Segundo o IBGE, a produção cresceu 0,40% em julho ante junho, na série com ajuste sazonal, resultado que ficou dentro das expectativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, que variavam de 0,20% a 1,40%, mas abaixo da mediana, de 0,80%. Na comparação ante julho de 2009, a produção da indústria subiu 8,70%, variação mais perto do piso das previsões, de 8,00%, e aquém da mediana de 9,18%. O índice de média móvel trimestral voltou a registrar queda, mas em menor magnitude do que em junho, de 0,70% para 0,30% nos três meses encerrados em julho.

"Acreditamos que essa abertura mais fraca do terceiro trimestre sustenta nossa tese de uma desaceleração da economia brasileira levando a cortes de juros pelo BC em 2011, com a Selic caindo para 10%", afirmou o chefe de pesquisa para mercados emergentes das Américas, Tony Volpon, em comentário sobre a produção industrial.

O ritmo de queda das taxas futuras ganhou ainda mais força na hora final dos negócios, coincidindo com a divulgação da ata do Fomc (comitê de política monetária do banco central norte-americano). O documento mostrou que as autoridades do banco central estão cada vez mais divididas em relação a qual caminho seguir em termos de política monetária. Depois da ata, a aversão ao risco foi retomada, com as Bolsas em Nova York invertendo o sinal positivo, enquanto os juros dos Treasuries (títulos do Tesouro dos EUA) desaceleraram o avanço.

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