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08/12/2011 - 20h53

Estagiária acusa escola de São Paulo de racismo

São Paulo (AE) - Além de exigir indenização por danos morais, a estagiária Ester Cesário, de 19 anos, que afirma ter sofrido discriminação no Colégio Internacional Anhembi Morumbi, na zona sul de São Paulo, quer que a escola crie um comitê sobre diversidade e reveja o ensino da história negra e cultura afro. A estagiária, que é negra, já registrou ocorrência de discriminação racial e estuda entrar com dois processos na Justiça, na esfera cível e trabalhista.

"As ações possíveis têm como fundamento a discriminação racial e assédio moral. Mas esperamos resolver com o colégio no caminho do diálogo", afirma o advogado Cleyton Borges, que a defende. O defensor disse que ainda não há definição do valor da indenização. "Qual o preço do abalo psicológico? Dos danos sofridos contra a honra, a dignidade e a liberdade enquanto mulher negra? Tem ainda o aspecto profissional. Por isso, ainda é cedo para definir a questão do dano."

Ester começou a trabalhar no colégio no início de novembro como estagiária de marketing - a jovem cursa Pedagogia. Ela conta que, no primeiro dia de trabalho a diretora da escola teria reclamado dos seus cabelos. "Como você pode representar nosso colégio com esse cabelo crespo?", teria dito a diretora, segundo a jovem. A recomendação era para que Ester prendesse os cabelos e os alisasse. "Eu também já tive cabelo ruim igual ao seu e alisei", foi outra frase dita, conforme relatou Ester. Dias depois, ouviu outra queixa: de que deveria usar camisas mais longas para esconder os quadris.

Ester registrou a ocorrência no dia 24 e continuou a trabalhar até terça-feira - hoje, entretanto, ela faltou, porque afirma ter sido transferida do atendimento ao público para funções no arquivo da escola. O advogado esteve hoje na escola. De acordo com ele, a direção demonstrou "abertura e sensibilidade", mas não foi possível ter respostas às reivindicações.

Manifestação - A jovem procurou o movimento UNEafro Brasil, que milita pela causa negra. A organização marcou uma manifestação na frente da escola para a próxima terça-feira, às 14 horas. "O ocorrido no colégio é sintético do que ocorre em todo Brasil. A efetivação da lei que prevê a educação da cultura afro nas escolas combateria essa prática", disse o coordenador da UNEAfro, Douglas Belchior.

Em nota, o colégio negou que tenha havido racismo. "Lamentamos profundamente que as instruções sobre vestuário passadas à nossa estagiária de marketing - as quais foram elaboradas com base em critérios puramente utilitários - tenham sido interpretadas de forma equivocada", cita o texto. O colégio ressaltou que adota práticas de inclusão e que está contratando uma consultoria para reconstruir o clima interno com a estagiária. Também negou ter transferido a jovem de função.

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