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04/12/2008 - 16h41

Argentina: Cristina Kirchner anuncia plano de 13,2 bilhões de pesos contra crise

ANSA
BUENOS AIRES, 4 DEZ (ANSA) - O governo argentino apresentou nesta quinta-feira um novo plano econômico, por meio do qual injetará na economia 13,2 bilhões de pesos (US$ 3,8 bilhões) para incentivar a produção e o consumo, em uma tentativa de minimizar o impacto da crise financeira sobre o país e afastar a possibilidade de recessão.

Em uma cerimônia realizada na residência oficial de Olivos, a presidente Cristina Kirchner apresentou as medidas a lideranças empresariais e entidades sindicais e reiterou que se trata de um "plano de contingência".

A prioridade, explicou, é evitar o aumento do desemprego no país, liberando linhas de crédito para indústrias e empresas que se comprometam a não cortar postos de trabalho para desonerar suas contas.

"Ninguém que considere demitir trabalhadores terá acesso ao financiamento", advertiu. A presidente pediu aos empresários "racionalidade" para compreenderem que a manutenção do emprego favorece o mercado consumidor interno, o que tornará o país mais forte para enfrentar a crise.

Do total de 13,2 bilhões de pesos do plano, 3,5 bilhões serão usados em linhas de financiamento ao consumo. Cada beneficiário poderá tomar um empréstimo de até 5 mil pesos, dinheiro que deverá ser usado principalmente na compra de itens da chamada linha branca, como geladeiras, máquinas de lavar roupa e demais equipamentos de cozinha.

Também haverá crédito para a aquisição de automóveis novos, mas somente para aqueles produzidos na Argentina ou em países do Mercosul. "Estamos beneficiando quem nunca pôde comprar um carro zero quilômetro", disse Cristina. Segundo o Ministério da Economia, a medida será estendida a linhas de veículos utilitários e caminhões.

O setor automobilístico, um dos mais afetados pela queda no nível de crédito e do consumo, terá direito a uma fatia de 3,1 bilhões de pesos, para que mantenha o nível de atividade.

Outros 3,5 bilhões de pesos serão direcionados a pequenas e médias empresas. Os setores que dependem do mercado externo receberão 1,2 bilhão de pesos para minimizar a perda de competitividade ocasionada pela desvalorização de outras moedas em relação ao dólar.

O setor agropecuário terá uma linha de financiamento de 1,7 bilhão de pesos e será beneficiado pela redução das chamadas retenções (taxas cobradas sobre a exportação) para o trigo (18%) e o milho (20%).

No primeiro semestre deste ano, as principais lideranças rurais do país promoveram um locaute de quatro meses em repúdio à resolução 125, com a qual o governo propunha reajustar a alíquota das retenções. A medida foi barrada pelo Senado.

A redução incluída no plano anunciado hoje, porém, não satisfez algumas lideranças agropecuárias. O presidente da Federação Agrária Argentina, Eduardo Buzzi, disse que o desconto é "insignificante".

No fim de novembro, Cristina já havia apresentado uma proposta de reforma tributária, por meio da qual oferecerá impostos mais baixos para quem tiver dinheiro investido no exterior e quiser repatriá-lo. Na ocasião, também foi anunciada a criação do Ministério da Produção.

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