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15/12/2008 - 16h05

Ruralistas fazem "tratoraço" no Paraguai para protestar contra ocupação de terras

ANSA
ASSUNÇÃO, 15 DEZ (ANSA) - A União de Grêmios da Produção do Paraguai iniciou nesta segunda-feira um 'tratoraço' para pedir ao presidente Fernando Lugo mais segurança no campo, diante das ocupações de propriedades promovidas por trabalhadores sem-terra.

"Há uma massiva presença de produtores e máquinas. A neblina complicou um pouco em alguns lugares, mas está tudo tranqüilo: é uma festa", declarou o presidente da associação dos ruralistas, Héctor Cristaldo em entrevista ao jornal paraguaio ABC Color.

O 'tratoraço' -- que começou às 8h locais e será encerrado às 15h de amanhã -- acontece em 13 departamentos paraguaios e estima cobrir mil quilômetros de estradas com mais de 15 mil máquinas agrícolas, sem interromper o trânsito de veículos.

As manifestações com maior participação acontecem nos departamentos do Alto Paraná, na fronteira com o Brasil, e em Itapúa, que faz divisa com a Argentina.

Por sua vez, Aníbal Carrillo Iramain, dirigente político do movimento Tekojojá, afirmou que o protesto busca somente defender os "privilégios de uma corporação mesquinha".

Para Carrillo, apoiador do presidente Fernando Lugo, os grêmios de produtores formam uma "Pátria da Soja", e o modelo agro-exportador promovido por esse setor é o responsável pela grande desocupação de terras no país e a conseqüente violência entre sem-terra e latifundiários.

Segundo ele, a "violenta" mecanização do campo promovida pelos ruralistas teve conseqüências sociais e ambientais bastante negativas.

O secretário-geral da Mesa Coordenadora Nacional de Organizações Camponesas (MCNOC), Luis Aguayo, partilha da idéia de Carrillo e acredita que a manifestação dos produtores paraguaios é "contraditória".

"O slogan de segurança e trabalho soa bem, ninguém pode estar contra isso. Mas, para eles, segurança é continuar envenenando e destruindo o ambiente", afirmou Aguayo.

Questionado sobre as ocupações de propriedades, o líder camponês disse que é um método questionável, mas é a única medida que serve para chamar a atenção do governo.

As invasões a propriedades privadas aumentaram desde a posse de Lugo como presidente, que é conhecido por ser simpático às causas dos trabalhadores sem-terra.

Lugo sofre pressões tanto dos ruralistas, que pedem uma posição mais firme a respeito das invasões, quanto dos camponeses, que exigem uma reforma agrária ampla.

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