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17/12/2008 - 15h57

Colômbia estuda lei de fortalecimento de línguas indígenas e crioulas

ANSA
BOGOTÁ, 17 DEZ (ANSA) - O governo colombiano estuda a possibilidade de colocar em vigor leis e regulamentações que permitam fortalecer as 67 línguas indígenas e crioulas do país, além do espanhol.

O projeto busca se espelhar em experiências semelhantes, como as legislações do México ou do País Basco, na Espanha.

Para isso, o Ministério da Cultura convocou esta semana em Bogotá o 1º Fórum Nacional de Legislação Lingüística, para o qual foram convidados antropólogos, juristas, etnolingüistas, membros de comunidades negras e indígenas, assim como delegados bascos e mexicanos.

"A idéia deste primeiro encontro é despertar a consciência e sensibilidade dos povos indígenas e afrodescendentes sobre a origem, o uso e a transmissão cultural de suas línguas como resgate de sua própria dignidade", disse a ANSA o lingüista basco-colombiano Jon Landaburo.

Landaburo é o coordenador do programa de proteção da diversidade etnolingüística do Ministério da Cultura, e estruturou um modelo para chegar à construção "coletiva e consensual" do conteúdo das possíveis normas para fortalecer as línguas indígenas e crioulas do país.

Esse modelo exigiu a aplicação de pesquisas sociolingüísticas em 12 povos indígenas e de uma população afrodescendente do Caribe colombiano, feitas por professores e dirigentes dessas mesmas comunidades com as quais se tentava conhecer o estado atual dessas línguas.

As pesquisas, cujo conteúdo faz parte da informação divulgada no Fórum Nacional, com encerramento marcado para sexta-feira, são um "autodiagnóstico a respeito do uso de cada língua e aplicadas por gerações, gênero, nível de escolaridade e localização", explicou Landaburo.

O lingüista disse que espera cruzar a informação contida nessas pesquisas para observar "pontos fortes e fracos" e "poder construir a partir desses dados políticas públicas que permitam revitalizar o uso dessas línguas, promover meios para divulgá-las e servir de fonte para futuros trabalhos acadêmicos".

Atualmente na Colômbia são faladas 65 línguas indígenas e duas línguas crioulas. Existem cerca de 2 milhões de indígenas, dos quais apenas 800 mil falam línguas aborígines, segundo dados do Ministério da Cultura.

Apenas três comunidades indígenas possuem um número de falantes superior a 100 mil. São os Wayuu, da fronteira norte com a Venezuela, os Embera, no noroeste do país, e os Nasa, no sul.

Erramun Osa, funcionário da Direção Política Lingüística do governo do País Basco, disse que sua presença no Fórum procura "mostrar o processo" que eles viveram desde que entrou em vigor a lei que protege e revitaliza sua língua frente ao espanhol.

Osa assegurou que "cada comunidade lingüística é protagonista de seu próprio futuro". Por sua vez, Jorge Peláez, indígena Tule que realizou a pesquisa sociolingüística dentro de sua comunidade, lembrou que "os velhos" de seu povo costumam dizer que para concretizar uma idéia é necessário "estabelecer um caminho, e nós vemos que esse caminho é a lei que nos ajuda a defender nossa língua".

No entanto, Bernardino Pérez, membro e pesquisador da população afrodescendente de Palenque, no Caribe colombiano, afirmou que "o fim último é revitalizar a língua".

Pérez relatou a ANSA que depois de vários anos de luta dentro de sua comunidade para resgatar sua língua, começam a aparecer mudanças que mostram que usá-la em sociedade não é mais uma "vergonha", como a instalação de avisos em estabelecimentos locais que estão escritos tanto em espanhol quanto em palenquero.

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