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22/01/2009 - 10h08

Caso Battisti: Deputado italiano defende retirada de embaixador no Brasil

ANSA
Em Roma (Itália)

Decisão de refúgio político a Battisti está dentro da lei, afirmam juristas

O deputado italiano do Partido Democrata (PD, de centro-esquerda) Francesco Boccia se declarou a favor do retorno do embaixador italiano no Brasil, Michele Valensise, em repúdio à decisão do governo brasileiro de conceder refúgio político ao ex-militante de extrema-esquerda Cesare Battisti.

Segundo ele, o gesto brasileiro "é uma ofensa gravíssima contra a Itália e deve ser respondido de um único modo: retirando o embaixador italiano do Brasil".

Condenado por quatro mortes na Itália

  • Eraldo Peres/AP

    Cesare Battisti, ex-ativista de extrema esquerda italiano, foi um dos chefes da organização de extrema esquerda Proletários Armados pelo Comunismo; na foto de março de 2007, é escoltado pela Polícia Federal ao chegar a Brasília (DF), onde estava preso à espera do processo de extradição



A possibilidade de chamar Valensise a Roma para consultas foi anunciada ontem pelo chanceler Franco Frattini.

Boccia ressaltou também que a decisão de conceder refúgio político a Battisti, "um assassino que em nenhum momento se mostrou arrependido", é o mesmo que "acusar o Estado e a nação italiana de oprimir os seus adversários políticos e sujar uma democracia instituída com o sangue de milhares de italianos, da resistência dos mártires civis e das forças de ordem que defenderam a dignidade do país inclusive quando aqueles como Battisti incentivavam delirantes lutas armadas entre classes".

"A Farnesina (Ministério das Relações Exteriores da Itália) deve chamar imediatamente o embaixador italiano e adotar as mais firmes iniciativas para restituir decoro e dignidade à nação, insultada pela irresponsabilidade e desconcertante decisão do governo brasileiro", defendeu o deputado.

Battisti, de 54 anos, foi condenado à prisão perpétua na Itália acusado de quatro assassinatos cometidos na década de 1970 enquanto militava no Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), grupo ligado às Brigadas Vermelhas. O italiano, no entanto, alega ser inocente.

No último dia 13, o ministro da Justiça brasileiro, Tarso Genro, concedeu a Battisti o status de refugiado político, o que lhe garante o direito de morar e trabalhar no Brasil, e não pode ser extraditado, como pede a Justiça italiana. Genro argumentou que a decisão foi baseada na "existência fundada de um temor de perseguição" contra italiano.

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