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02/02/2009 - 19h53

Caso Battisti: Governo italiano quer 'acalmar situação' com o Brasil, diz escritora Fred Vargas

ANSA
BRASÍLIA, 2 FEV (ANSA) - A escritora francesa Fred Vargas, amiga pessoal de Cesare Battisti, disse nesta segunda-feira que o governo italiano teria a intenção de "acalmar a situação" gerada pela crise diplomática com o Brasil, onde o ex-ativista recebeu o status de refugiado político.

Em entrevista à ANSA, Vargas criticou a atuação de políticos italianos no caso, mas disse acreditar que o primeiro-ministro do país, Silvio Berlusconi, "não está interessado em ter um problema com o Brasil".

"Berlusconi usou o caso de ex-terroristas que estão na França durante a campanha eleitoral. Agora essa propaganda criou um clima na opinião pública e o próprio Berlusconi não pode mais voltar atrás, não pode mais controlar a criatura por ele inventada", acusou a escritora. Para ela, a intenção do governo italiano agora seria "acalmar a situação".

Vargas ainda revelou que Battisti "sabe o nome" do agente do serviço secreto francês que o teria aconselhado a fugir para o Brasil.

A escritora admitiu não saber se o homem que ajudou Battisti "trabalhou por conta própria ou seguindo ordens". "Com certeza é de esquerda", observou ela, acrescentando que a participação do suposto agente "é um dos pontos secretos" do caso.

A informação de que sua fuga para o Brasil havia sido sugerida e facilitada por um funcionário do serviço secreto francês foi revelada pelo próprio Battisti em entrevista à imprensa brasileira, mas sem que qualquer nome tenha sido citado.

A escritora também opinou sobre a versão sustentada por Battisti para o assassinato do joalheiro Pierluigi Torregiani, um dos quatro homicídios pelos quais ele foi condenado à prisão perpétua.

"Quem atirou em Torregiani foi [o ex-militante, Giuseppe] Memeo", afirmou Vargas. Segundo ela, Battisti "soube do atentado pelos jornais". "Battisti não queria que o atentado acontecesse", acrescentou.

Na semana passada, o filho do joalheiro, Alberto Torregiani, que ficou paraplégico após ser atingido no mesmo tiroteio em que seu pai foi morto, admitiu que Battisti não estava presente, pois havia viajado para participar de outra ação.

Vargas lembrou que "a própria Justiça italiana admitiu que quatro homens participaram do atentado, e na época Cesare [Battisti] não fazia mais parte do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC)".

A escritora alegou que seu amigo "nunca foi um criminoso comum". Segundo ela, o italiano cometeu furtos, mas sempre para "conseguir dinheiro para a organização".

Preso no Brasil desde 2007, Battisti, de 54 anos, aguarda a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que poderá ratificar o status de refugiado político ou ordenar sua extradição, que é exigida pela Itália.

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