UOL Notícias Notícias
 

05/02/2009 - 13h55

Secretário de Estado vaticano critica desrespeito à vida em caso Eluana

ANSA
MADRI, 5 FEV (ANSA) - O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, criticou nesta quinta-feira a decisão de suspender a alimentação e a hidratação da italiana Eluana Englaro, que está em estado vegetativo irreversível há 17 anos, afirmando que "a dignidade de um ser humano implica, entre outras coisas, no respeito pela vida desde a sua concepção até o seu fim natural".

Durante uma conferência em Madri sobre "Os direitos humanos e o pontificado de Bento XVI", o cardeal relembrou alguns discursos do Pontífice, dizendo que "a vida, uma obra de Deus, não deve ser negada a ninguém, nem ao mais indefeso, e menos ainda a quem apresenta alguma grave incapacidade".

"Estamos frente a um panorama novo daquele de quando foi aprovada a Declaração Universal dos Direitos Humanos, sobretudo por causa do desenvolvimento da ciência e da tecnologia, com muitos instrumentos técnicos para decidir sobre a vida e a morte", explicou Bertone.

O secretário também afirmou que é necessário lembrar os pesquisadores e cientistas que "as novas fronteiras da bioética não impõem uma escolha entre a ciência e a moral, mas exigem o uso moral da ciência".

Bertone citou algumas palavras do Papa, proferidas durante sua visita à Organização das Nações Unidas (ONU) em 2008, de que "apesar dos benefícios que a humanidade pode ganhar com as descobertas científicas", alguns aspectos das suas aplicações "representam uma clara violação das leis da criação, a ponto de contradizer o caráter sagrado da vida, despojando a pessoa e a família da sua identidade natural".

Segundo o cardeal, a liberdade "não pode ser usada para justificar certos excessos", porque isto pode ocasionar uma "regressão no conceito dos seres humanos". Bertoni defendeu também que "é necessário recuperar o pleno senso de acolher a vida".

A decisão tomada em novembro do ano passado pela Justiça italiana deu ao pai de Eluana, Beppino Englaro, o direito de suspender a alimentação e a hidratação da filha. A decisão recebeu críticas do Vaticano e do governo de centro-direita da Itália, os quais alegam ser um caso de eutanásia ativa, proibida pela Constituição do país.

Eluana está atualmente internada na clínica La Quiete, localizada em Udine, nordeste da Itália, e de acordo com médicos que a acompanham, a suspensão da alimentação artificial deve iniciar nessa sexta-feira.

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, afirmou ontem que o governo está analisando um meio de intervir no caso. Fontes do Executivo informaram também que há a possibilidade de um decreto ser aprovado para anular o direito concedido pela Corte.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,54
    3,265
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,36
    64.085,41
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host