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09/02/2009 - 16h39

Igreja Católica ameaça excomungar fiéis que colaborarem com morte de Eluana

ANSA
ROMA, 9 FEV (ANSA) - Quem participar do processo de interrupção do sistema de alimentação que mantém viva a italiana Eluana Englaro, há 17 anos em estado vegetativo, será excomungado da Igreja Católica, informou nesta segunda-feira o secretário da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, monsenhor Albert Malcolm Ranjith.

Eluana sofreu um acidente de carro em 1992 e desde então está em estado vegetativo. Durante anos, seu pai, Beppino Englaro, lutou na Justiça para ter o direito de interromper a alimentação e a hidratação que nutrem o organismo de sua filha. Um parecer favorável foi obtido no ano passado.

Com isso, no último sábado teve início o processo que levará Eluana à morte. O governo italiano, porém, tenta aprovar um projeto de lei que pode reverter a decisão da Justiça.

Em declarações ao site Papanews, Ranjith revelou que quem colaborar "em qualquer nível" com a morte de Eluana não poderá mais comungar pela Igreja Católica. Segundo ele, a excomunhão valerá para "políticos, médicos, legisladores e familiares da paciente".

O religioso diz que sua posição está baseada na exortação apostólica Sacramentum Caritatis, de Bento XVI, em que se afirma que "quem quiser receber a eucaristia deve proteger a vida desde o início até seu fim natural".

Ranjith, originário de Sri Lanka, ressaltou que a morte de Eluana se deve a uma "falsa piedade", e que a paciente morrerá "da pior maneira". O religioso lembrou que, segundo a visão católica, a "vida é um dom de Deus".

'Ética moral'

Em uma nota divulgada hoje pela Agência de Informações Religiosas (SIR), o teólogo Marco Doldi afirmou que a defesa da vida de Eluana é uma questão "de ética moral".

"Neste grave momento para o futuro de nosso país, a Igreja não se cala", disse o religioso. "A defesa do direito de Eluana à vida é uma questão de ética moral, comum a todos os homens."

Segundo Doldi, "promover e defender a vida é um valor social, e supõe cuidar dos demais, sobretudo quando se trata de pessoas frágeis". O religioso explicou, porém, que a Igreja dispõe apenas da "força das palavras" para abordar o caso, e que por isso não pode impor qualquer decisão.

Já o bispo da cidade italiana de Assis, Domenico Sorrentino, afirmou que a situação de Eluana não é um caso de "vida terminal", mas de uma pessoa "deficiente, como tantas outras". Por isso, o religioso indicou que não vê qualquer motivo para abrir mão da assistência dada à paciente.

O líder tibetano Dalai Lama, que está em Roma para uma visita oficial, disse que a manutenção da vida da italiana tem sentindo somente se "há a possibilidade de recuperar sua consciência e funções mentais".

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