Caso Battisti: 'Era melhor não ter jogado', diz ministro italiano sobre amistoso com Brasil

ROMA, 11 FEV (ANSA) - O ministro da Defesa da Itália, Ignazio La Russa, que defendeu o cancelamento do amistoso disputado ontem em Londres entre Brasil e Itália por causa da polêmica envolvendo o ex-militante de esquerda Cesare Battisti, voltou a falar do assunto nesta quarta-feira.

Desta vez, o ministro afirmou que a vitória da seleção de Dunga por 2 a 0 mostrou que ele tinha razão ao pedir que o jogo não fosse realizado. "Eu tinha dito, era melhor não jogar". O político reconheceu a superioridade do time brasileiro. "Era uma exibição de dream team (time dos sonhos), em que era óbvio que o Brasil venceria", admitiu.

La Russa foi um dos principais partidários do cancelamento da partida. Sua ideia era transformar o ato em um protesto contra a decisão do governo brasileiro de conceder refúgio político a Battisti, que na Itália foi condenado à prisão perpétua por quatro assassinatos ocorridos na década de 1970.

Nas declarações dadas hoje, ele voltou a defender seus argumentos. "Quando não se trata de uma competição, não há nada de dramático em pedir que o jogo não seja disputado."

Ao falar especificamente do caso Battisti, o ministro declarou que os italianos não deixarão o assunto "sair de moda". Segundo ele, o ex-militante da organização Proletários Armados pelo Comunismo (PAC) "espera passar seus dias nas praias de Ipanema", mas a população de seu país não esquecerá dele até que seja extraditado.

"Aos amigos brasileiros, digo que nós não esqueceremos. Um expoente do Brasil insultou a Itália dizendo que há tortura, mas aqui, mesmo depois de 15 anos, os cúmplices (de Battisti) estão em liberdade, e com certeza não são torturados", afirmou La Russa.

Desta forma, ele se referiu à justificativa do ministro da Justiça brasileiro, Tarso Genro, que ao dar o refúgio político afirmou que o italiano não pode voltar a sua terra natal porque tem medo de ser perseguido.

O processo que envolve Cesare Battisti tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), que poderá extraditá-lo ou permitir que continue no Brasil.

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