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12/02/2009 - 16h16

Irmão de Cesare Battisti afirma que ex-ativista foi agredido no Brasil

ANSA
Em Roma
O irmão mais velho de Cesare Battisti, Vincenzo, de 68 anos, afirmou que o ex-ativista foi agredido após ter sido preso no Brasil, mas não esclareceu em qual local do país, Rio de Janeiro ou Brasília, teriam sido cometidas essas agressões.

Em declarações à revista Panorama, que será publicada amanhã na Itália, Vicenzo afirmou que o irmão foi alvo de violência na prisão. "Espancavam-no continuamente, raspavam seu cabelo e o humilhavam, apagavam cigarros nele. Antes de encontrá-lo, a mulher e a filha pequena tiveram de esperar dois dias. Mas quando se viram ainda havia inchaços. A garotinha ficou chocada", relatou.

Depois de ter sido preso no Rio, o ex-ativista ficou detido na sede da Polícia Federal do Rio e depois foi transferido a Brasília, à Penitenciária da Papuda, onde aguarda ser solto, após ter obtido o status de refugiado político do governo brasileiro.

Vincenzo, que disse falar "em nome de toda a família", confirmou também que o serviço secreto francês ajudou seu irmão na fuga de Paris para o Brasil.

"Cesare está convencido de que (o governo francês) atuou por motivos políticos. Em 2004 uma parte da opinião pública era contrária à sua extradição, por isso o ajudaram, para não perderem votos nas eleições que estavam para acontecer", disse.

"Depois, no entanto, os agentes disseram à polícia brasileira que o mantinham escondido em um apartamento. Ele me contou que foi dopado e que ameaçavam matá-lo. Eles apontaram uma pistola contra sua cabeça. Cesare me disse: 'percebi que fui usado e que após as eleições presidenciais me eliminaram", continuou Vincenzo.

Hoje, no Brasil, segundo disse seu irmão, "Battisti conta com proteção, como, por exemplo, a do senador José Nery (PSOL-PA)".

Vincenzo também aproveitou a entrevista para pedir ao presidente italiano, Giorgio Napolitano, que conceda o perdão a seu irmão, condenado no país a prisão perpétua por quatro assassinatos ocorridos na década de 1970.

Na última semana, outro irmão, Domenico, de 63 anos, elogiou a decisão do governo brasileiro e afirmou considerar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "um grande homem".

A Itália, por sua parte, entrou com um recurso contra a decisão brasileira e pediu vista do processo de extradição. O caso agora é analisado pelo STF.

Na última terça-feira, o Supremo indeferiu o pedido de liminar feito pelo governo italiano para anular o refúgio, mas a decisão ainda não é definitiva e o processo deve ser concluído até o início de março, quando o STF decide se aceita ou não o pedido de extradição, feito pela Itália.

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