UOL Notícias Notícias
 

14/03/2009 - 14h01

El Salvador-Entrevista: Esposa de candidato da FMLN, brasileira Vanda Pignato, aposta em parceria com o Brasil

ANSA
Por ANA BIZZOTTO

SÃO PAULO, 14 MAR (ANSA) - Uma vitória do candidato de oposição da Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional (FMLN) Mauricio Funes à presidência de El Salvador poderá contribuir para que este país estabeleça "uma parceria forte e saudável" com o Brasil, é o que afirma sua esposa, a brasileira Vanda Guiomar Pignato.

Em entrevista à ANSA, Pignato aponta que "as ligações históricas e afetivas de Funes e da FMLN com o Brasil, e, especialmente, a grande afinidade com o presidente Lula, o PT (Partido dos Trabalhadores) e os movimentos sociais", podem contribuir para que os dois países estabeleçam "uma parceria forte e saudável, baseada na solidariedade e no respeito mútuo".

"Claro que o Brasil, por ser um país mais rico e mais forte, poderá ajudar muito mais El Salvador. No entanto, El Salvador pode ser um parceiro bastante estratégico para o Brasil na América Central, onde a presença brasileira ainda é menor do que poderia ser", propõe Pignato, que também dirige o Centro de Estudos Brasileiros em El Salvador.

Sobre as eleições salvadorenhas, que ocorrerão neste domingo e cujas pesquisas de intenção de voto apontam Funes como favorito, a brasileira se diz confiante com a vitória de seu marido, pois "a população há muito tempo sonha com uma mudança e o fim de ciclo de estagnação que se arrasta há 20 anos", explica.

O jornalista Funes, candidato da FMLN, que era uma organização guerrilheira durante a guerra civil que aconteceu no país entre 1980 e 1992 e se tornou um partido legalizado em 1992, enfrentará na disputa de amanhã Rodrigo Ávila, da governista Aliança Republicana Nacionalista (Arena), uma das coligações de direita que se revezam no governo do país há cerca de duas décadas.

Na entrevista, Pignato também rebateu as denúncias da Arena, que associou a imagem da FMLN à dos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Nicarágua, Daniel Ortega, e acusou o partido de receber apoio financeiro de outros países, inclusive do Brasil. No caso brasileiro, a acusação se referia ao PT, ao qual a brasileira é ligada historicamente.

"A Arena fez uma das campanhas mais mentirosas e ameaçadoras da história de El Salvador, dizendo às pessoas que com nossa vitória o país viraria um satélite da Venezuela. Esta manipulação seria cômica, se não fosse trágica e vergonhosa", opina.

Por sua parte, a FMLN acusa a Arena de planejar a participação de estrangeiros no pleito. "Existem mais que indícios e, inclusive, é uma prática costumeira. Houve denúncias em janeiro, durante as eleições municipais, quando prefeitos da Arena teriam transportado pessoas da Guatemala e de Honduras para votar em municípios da fronteira", diz Pignato.

A pequena extensão de El Salvador, que tem área menor que o estado brasileiro de Sergipe, facilita o deslocamento de pessoas dos países fronteiriços, de acordo com a brasileira.

"A FMLN tem em mãos cópias de documentos de identidade falsos, mas o Tribunal Superior Eleitoral não aceitou a sugestão de introduzir uma máquina simples e barata para checar a autenticidade dos documentos", conta.

O novo presidente de El Salvador enfrentará não apenas os problemas consequentes da guerra civil, que deixou mais de 70 mil mortos, mas também uma crise econômica, que, segundo Pignato, já começa a afetar profundamente o país, que depende muito das relações comerciais com os Estados Unidos e das remessas de dinheiro enviadas pelos salvadorenhos que vivem nos EUA e já sofrem com o desemprego.

"O grande problema é que agora estamos convivendo com duas crises: a crise crônica, que é fruto do desgoverno de quase 20 anos de Arena, e esta nova crise internacional. O atual governo não tomou ainda nenhuma medida preventiva, nem implantou um plano anticrise", explica.

Cerca de 4,2 milhões de salvadorenhos estão habilitados para ir às urnas amanhã, em meio a um clima político tenso, marcado pelas acusações mútuas entre a Arena e a FMLN. Para a ocasião, foram mobilizados 18 mil agentes da Polícia Civil. O efetivo de segurança terá ainda o reforço de 2.000 militares.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -1,03
    3,146
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,09
    68.714,66
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host