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19/04/2009 - 13h57

Lula defende cooperação econômica com a Argentina

ANSA
BUENOS AIRES, 19 ABR (ANSA) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a cooperação econômica com a Argentina, país que segundo ele deve ser encarado como um sócio e aliado na América do Sul, e não como adversário.

Em uma entrevista publicada neste domingo pelo jornal La Nación, de Buenos Aires, e concedida em Trinidad e Tobago, onde ocorre a Cúpula das Américas, Lula afirmou que as relações bilaterais passam por um momento "excepcional".

Ele minimizou até mesmo a contenda comercial causada pelo aumento do controle de importações adotado pelo governo do país vizinho.

"A Argentina está fazendo um grande esforço para reestruturar sua indústria, e o Brasil não tem que competir, mas ajudar", disse o presidente. "O Brasil não pode ver a Argentina como adversário, nem a Argentina pode ver o Brasil como tal. Devemos nos ver como aliados."

Para Lula, depois de muitos anos de trabalho diplomático, as duas maiores economias da região conseguiram romper barreiras e preconceitos mútuos.

"Não posso imaginar Brasil e Argentina separados. São as duas maiores economias da América do Sul, o que nos leva a sermos também os países mais desenvolvidos tecnologicamente", explicou.

Como sinal do bom relacionamento, o presidente destacou o sistema de pagamento em moedas locais, mediante o qual os dois países fazem transações sem precisar de dólares.

Ele reiterou que pretende estender o mecanismo aos demais sócios do Mercosul -- Paraguai e Uruguai -- e às demais economias sul-americanas. Lula, que viaja na quinta-feira a Buenos Aires, onde se reunirá com a presidente Cristina Kirchner, disse ainda que quer aproveitar a visita para "construir consensos".

Crise

Questionado sobre as consequências e oportunidades criadas pela crise econômica internacional, o mandatário ressaltou o papel das economias emergentes, entre as quais incluiu a Argentina.

"Países como China, Índia, Brasil, África do Sul e Argentina têm mais oportunidades para sair da crise, desde que façamos as coisas corretamente", enfatizou. "Se atuarmos com prudência e maturidade, poderemos construir uma nova ordem econômica, com uma maior inclusão, respeito pelas questões climáticas e mais justiça social."

Segundo o presidente, o atual contexto é ideal para "investir, criar empregos e gerar uma melhor distribuição de renda". "Trata-se de um momento excepcional para tomar decisões políticas. A era dos técnicos terminou e agora chegou o momento da política", complementou.

Lula reiterou ainda que o Fundo Monetário Internacional (FMI) poderá ser democratizado quando o conjunto de países que dele fazem parte "tiver a possibilidade real de tomar decisões com igualdade de responsabilidades". "Queremos um FMI onde um coloca mais dinheiro porque tem mais, mas na hora de decidir, tem que ser uma decisão coletiva, levando em consideração o que é melhor para todos", disse.

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