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23/07/2009 - 16h33

Oposição italiana cobra explicações sobre áudios atribuídos a Berlusconi

ANSA
ROMA, 23 JUL (ANSA) - O Partido Democrata (PD), a principal força da oposição italiana, cobrou hoje explicações sobre os novos áudios em que o premier Silvio Berlusconi supostamente conversa com a prostituta Patrizia D'Addario, divulgados pela revista L'Espresso em sua página de internet.

As gravações difundidas nesta quinta-feira estão divididas em duas partes. Na primeira, o homem cuja voz é atribuída a Berlusconi fala sobre assuntos de teor sexual com D'Addario. Em outro trecho, o premier ressaltaria à mulher algumas das "atrações turísticas" de sua mansão situada no litoral da Sardenha, chamada Villa Certosa.

Entre estas atrações, são mencionadas uma sorveteria para hóspedes e um lago com cisnes. Chamou a atenção do PD, porém, o momento em que o premier faria referência a "cerca de 300 tumbas fenícias" que teriam sido descobertas no subsolo de sua propriedade.

O senador Andrea Marcucci exigiu que Berlusconi e seu ministro de Bens Culturais, Sandro Bondi, "apresentem-se imediatamente ao Parlamento".

"É necessário saber se existem ou não estas tumbas fenícias na propriedade do premier, e principalmente se o fato foi comunicado às autoridades competentes, porque seria grave constatar que uma descoberta arqueológica desta importância tenha ocorrido violando as normas que regulam este tipo de atividade", disse o parlamentar.

O PD se recusou a comentar os aspectos da vida privada do premier que constariam das gravações, mas o líder da sigla, Dario Franceschini, considerou que Berlusconi "está sendo vítima de um reality show que ele próprio criou".

"Não existia em nossa política esta mistura entre vida privada e vida pública, e até hoje não existe entre a maior parte dos líderes. Foi ele [Berlusconi] quem escolheu unir a vida pública à privada, e agora se vê prisioneiro do reality show que ele mesmo construiu", ponderou.

Já a bancada parlamentar do Povo da Liberdade (PDL), partido do primeiro-ministro, pediu o fim da exploração de sua intimidade. "Se perdermos mais dez minutos no plenário falando do 'papi' (apelido dado a Berlusconi por algumas das mulheres com as quais ele teria se relacionado) e de sua vida privada, sairei daqui", disse a senadora Ombretta Colli.

"Há várias semanas, os meios de comunicação e os políticos se interessam mais em saber com quem o chefe de Governo passou a noite", complementou.

Desde o início da semana, a revista L' Espresso vem disponibilizando em sua página de internet áudios nos quais Berlusconi supostamente conversa com D'Addario, uma prostituta de luxo que diz ter recebido dinheiro para participar de festas realizadas em residências do premier.

Nas gravações, ela dialoga com dois homens. Um seria Berlusconi; o outro, o empresário Giampaolo Tarantini, suspeito de ser o aliciador das mulheres que participavam das festas.

A edição impressa da revista, que vai às bancas nesta sexta-feira, transcreverá na íntegra todos as passagens, gravadas a partir de outubro de 2008.

O advogado de Berlusconi, Niccoló Ghedini, voltou a alegar hoje que os áudios são falsos, pois os arquivos originais, que a prostituta garante ter gravado, estão sob poder da Procuradoria de Bari.

"A Procuradoria de Bari já esclareceu que as gravações supostamente feitas por D'Addario nunca saíram de sua sede nem foram transcritas", argumentou.

Ontem, ao falar publicamente pela primeira vez dos episódios ligados a sua vida particular, Berlusconi admitiu que "não é santo".

"Não sou um santo, acho que vocês entenderam isso, e espero que as pessoas do La Repubblica entendam também", disse ele, referindo-se ao jornal italiano, que pertence ao mesmo grupo que o L'Espresso.

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