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05/08/2009 - 12h06

Itália pede à UE que se pronuncie sobre ataques contra cristãos no Paquistão

ANSA
ROMA, 5 AGO (ANSA) - O ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, afirmou que a União Europeia (UE) não pode "fechar os olhos" diante dos atos de violência cometidos contra cristãos do Paquistão.

"É insípido pensar que o desafio se vence limitando-se a exprimir dor e indignação. A União Europeia não pode se desinteressar, não pode fechar os olhos", disse o chanceler, ao comentar a decisão tomada ontem de enviar uma carta à República Tcheca, presidente do turno da UE, solicitando uma declaração comum que condene os ataques.

Em entrevista ao jornal vaticano Avvenire, Frattini explicou que o documento é apenas o "primeiro passo" para resolver a questão".

"Não basta à Itália, nem mesmo à Europa (solucionar o problema, ndr.). É preciso que o inteiro mundo civilizado diga diante da Organização das Nações Unidas, a uma só voz e com a máxima força, que liberdade religiosa significa liberdade de todas as religiões", defendeu o ministro italiano.

Segundo Frattini, o silêncio de Bruxelas, não só nesta ocasião, deriva provavelmente do fato de que "acreditam que garantir o pleno direito dos muçulmanos significa reequilibrar as injustiças do passado".

"Os cristãos são vistos como a componente do mundo forte, potente. Estão no mundo 'americano', 'europeu', então não há motivo para serem protegidos", pontuou o chanceler.

Questionado pela ANSA sobre o tema, o porta-voz da República Tcheca, Andrews Jorle, afirmou que "a presidência está bem ciente do problema denunciado pelo ministro" italiano e "não fechará os olhos diante desta história".

De acordo com Jorle, o país "já está trabalhando para preparar uma declaração comum, que ainda não está pronta".

Na última segunda-feira, o papa Bento XVI pediu o fim dos ataques contra os católicos paquistaneses, principalmente os da cidade de Gojra, localizada na província de Punjab.

Durante o último fim de semana, sete cristãos morreram e outros 18 ficaram feridos em um incêndio que atingiu várias residências de Gojra. O fogo é visto como um ataque da comunidade islâmica [que representa mais de 95% do país] contra a cristã, devido a desavenças, causadas por um rumor de profanação do Alcorão, livro sagrado muçulmano.

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