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25/09/2009 - 09h30

Honduras: Candidatos incentivam diálogo e pedem assinatura de Acordo de San José

ANSA
TEGUCIGALPA, 25 SET (ANSA) - Os candidatos presidenciais de Honduras se reuniram com o mandatário deposto, Manuel Zelaya, e com o líder do governo de facto, Roberto Micheletti, para pedir a ambos que assinem o Acordo de San José, o que impedirá o fracasso das eleições gerais marcadas para o próximo dia 29 de novembro.

Os candidatos Elvin Santos, do Partido Liberal (de Zelaya); Porfírio Lobo Sosa, do Partido Nacional (de direita e principal legenda de oposição); Bernard Martínez, do Partido Inovação e Unidade Social-Democrata; e Felicito Ávila, do Partido Democrata Cristão, se encontraram separadamente com Micheletti e Zelaya.

César Ham, do esquerdista Partido Unificação Democrática, e Carlos Reys, candidato presidencial independente, devem manter hoje diálogos com o mandatário deposto e com o eleito pelo Congresso.

"Nos alegra muito que os dois estão dispostos a retomar a mesa de diálogo, sobretudo no marco do Acordo de San José", disse Porfírio Lobo, referindo-se ao tratado proposto em julho passado pelo presidente da Costa Rica e mediador da crise política hondurenha, Oscar Arias.

O texto tem como ponto principal a formação de um governo de unidade liderado por Zelaya e propõe a antecipação das eleições de novembro para outubro, além da possibilidade de conceder anistia aos envolvidos na crise política. Contudo, tal pacto já foi considerado fracassado por diversas vezes pelas partes envolvidas.

De acordo com Lobo, nos encontros foram discutidas "reformas políticas que se podem fazer para um plano de nação que seja válido para vários períodos presidenciais".

Já Elvin Santos informou que Micheletti e Zelaya demonstraram "uma enorme amplitude de diálogo, e isto, para nós, é muito importante para que a paz e a tranquilidade volte a reinar na família hondurenha".

O candidato pelo Partido Liberal completou que os presidenciáveis "não podem ser os interlocutores, mas vão solicitar para que ambas as partes possam avançar rapidamente no diálogo e fazer as reformas para aprofundar a democracia, para que seja participativa, e o que envolve consultas aos hondurenhos".

Nenhum candidato, no entanto, respondeu se é a favor ou contra a restituição de Zelaya, expulso do país e vítima de um golpe de Estado no último dia 28 de junho, dia em que realizaria uma consulta popular para modificar a Constituição hondurenha.

As reuniões com Zelaya aconteceram na noite de ontem na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde o mandatário deposto está instalado desde a última segunda-feira, quando retornou a Honduras. A sede diplomática está cercada por policiais e militares, e o presidente destituído corre o risco de ser preso.

"Este é um momento histórico que estamos vivendo no país", disse Zelaya ao comentar a visita dos quatro candidatos, considerados golpistas pela Frente Nacional de Resistência Contra o Golpe de Estado, formada por partidários do mandatário deposto.

Zelaya afirmou ainda que o tratado proposto por Arias deve ser assinado "o quanto antes possível", porque é um "instrumento para chegar a um acordo político e tem como uma das primeiras exigências a restituição da democracia perdida com o golpe".

"Honduras está vivendo uma profunda crise, que está relacionada com seu passado e presente. E o futuro será próspero a medida em que se reforme a Constituição para as mudanças estruturais que o país precisa e o povo exige", destacou o mandatário constitucional do país.

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