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19/10/2009 - 13h18

Lei que anistiava repressores da ditadura tem 47% de apoio dos uruguaios

ANSA
MONTEVIDÉU, 19 OUT (ANSA) - Cerca de 47% dos uruguaios disseram que votarão no referendo do próximo domingo pela revogação da Lei de Caducidade, que anistiou repressores da ditadura (1973-1985). Para que a medida deixe de vigorar, é preciso o voto de mais de 50% dos eleitores.

A pesquisa que apontou a intenção de voto dos uruguaios foi realizada pela consultora Interconsult entre os dias 8 e 11 de outubro e foi divulgada hoje pelo jornal Ultimas Noticias. O levantamento revelou também que 13% dos entrevistados se disseram indecisos.

Os partidários da anulação da medida realizarão amanhã uma manifestação em Montevidéu para incentivar o voto cidadão. Hoje, Macarena Gelman, neta do poeta argentino Juan Gelman, pediu que o povo uruguaio vote pelo fim da lei que, na sua opinião, "ampara assassinatos".

No próximo domingo, além do referendo sobre a Lei de Caducidade, serão realizadas eleições para a presidência da República e para renovar o Legislativo federal. No mesmo dia, haverá um referendo sobre o chamado voto epistolar, que se aprovado permitirá que os mais de 500 mil uruguaios radicados no exterior votem no próximo pleito.

O estudo da Interconsult apontou que 49% dos eleitores uruguaios pretendem aprovar o voto a partir de outros países, enquanto 9% disseram não ter uma opinião sobre o tema.

O referendo sobre a Lei de Caducidade foi possível graças a uma campanha de um ano e meio promovida pela central operária PIT-CNT e por organizações sociais e humanitárias que recolheram mais de 300 mil assinaturas, exigência da Corte Eleitoral para a convocação do pleito.

A campanha recebeu o apoio de líderes políticos e personalidades dos campos da cultura e dos direitos humanos, como Macarena Gelman, o escritor Eduardo Galeano e o atual candidato governista à presidência, José Mujica, da Frente Ampla.

Promulgada em 1986 e ratificada em referendo popular três anos depois, a Lei de Caducidade impediu, salvo exceções, o indiciamento de acusados de crimes de lesa-humanidade cometidos durante a ditadura.

"Tenho a necessidade de que se faça justiça, de que se reconheça e se investigue o que aconteceu", comentou Gelman, cuja mãe, Maria Claudia Garcia, desapareceu na prisão após dar à luz a filha.

Garcia foi presa em Buenos Aires no âmbito do Plano Condor, que coordenou as ditaduras na América do Sul. "Isto tem que ser sanado de alguma forma. E, uma vez que isso aconteça, será possível vislumbrar um futuro", enfatizou Macarena.

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