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06/11/2009 - 09h32

Lugo humilhou militares destituídos, diz ex-comandante paraguaio

ANSA
ASSUNÇÃO, 6 NOV (ANSA) - O general paraguaio Bernardino Soto Estigarribia, ex-chefe das Forças Armadas, qualificou como "humilhantes" as destituições dos comandantes do Exército, da Marinha e da Força Área, ordenadas pelo presidente Fernando Lugo na última quarta-feira.

Em declarações ao jornal local ABC, o militar, atualmente na reserva, considerou que com a decisão o mandatário lançou sobre os oficiais o "estigma de golpistas".

Embora tenha dito, um dia antes, que não via indícios de que um golpe de Estado poderia ser orquestrado pelas Forças Armadas contra seu governo, Lugo optou por promover a substituição, a segunda neste ano e a quarta desde que chegou ao poder, em agosto de 2008.

"Nenhum militar gostaria de terminar assim: humilhado, trocado, com o estigma de golpista, depois de haver feito uma carreira brilhante", afirmou Estigarribia, que foi destituído por Lugo ainda nos primeiros meses de seu mandato e hoje milita no tradicional Partido Colorado, de oposição.

"Foi uma sanção dura, desrespeitosa, contundente, uma falta de respeito com a condição dos militares e suas famílias", complementou.

O general cobrou explicações de Lugo, que até o momento não justificou o porquê das mudanças. "[Ele] precisa expor os motivos que o levaram a tomar uma decisão tão drástica: se foi porque descobriu que eram conspiradores ou porque cometeram algum ato ilícito desqualificável", ponderou.

Ao lembrar que esta foi a quarta troca de comandantes promovida pelo presidente, Estigarribia indicou que o fato demonstra seu caráter "débil e vacilante" e fomenta a instabilidade no interior das Forças Armadas.

"Parece que cada vez que ocupam um cargo, os generais sobem em uma passarela, onde desfilam antes de serem destituídos e mandados para a casa", ressaltou.

Em sua opinião, "é muito cômodo [para o presidente] se amparar em sua faculdade constitucional para destituir os membros das Forças Armadas, pisoteando a honra, o prestígio e o currículo que foi forjado por cada um até chegar ao máximo escalão da carreira, após mais de 30 anos de serviço".

Procedimento normal

O ministro do Interior, Rafael Filizzola, informou que as substituições obedecem a um procedimento normal, que já estava programado.

Ele descartou a hipótese de que Lugo pudesse ser vítima de um golpe, mas indicou que há setores da política "nostálgicos de um passado irregular" que podem buscar apoio militar.

As mudanças, explicou, "são próprias de um momento no qual o presidente, como comandante das Forças Armadas, deve fazer os ajustes necessários para que a instituição funcione da melhor forma possível".

"Creio que é improvável, impossível, que aqui possamos imaginar um cenário no qual as Forças Armadas pretendam novamente exercer o papel de árbitros da política", prosseguiu.

Com as trocas, tomaram posse ontem os novos comandantes do Exército, Bartolomé Pineda, da Marinha, Egberto Orué, e da Força Aérea, Hugo Gilberto Aranda.

Lugo foi eleito no ano passado e colocou fim a seis décadas ininterruptas de governos do conservador Partido Colorado. No último fim de semana, circularam rumores no país de que ele poderia ser alvo de um golpe militar.

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