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29/11/2009 - 10h25

Honduras vai às urnas sob forte esquema de segurança

ANSA
TEGUCIGALPA, 29 NOV (ANSA) - As eleições gerais de Honduras acontecem hoje sob um forte esquema de segurança nunca antes visto no país, com detenções e apreensões, em meio a denúncias de que opositores ao pleito são vítimas de repressão.

O regime de facto, que mobilizou grande parte de seu contingente para a segurança do pleito, contratou 5.000 reservistas do Exército para acompanharem o processo, que é repudiado internamente e por países da região, por ocorrer sem a restituição do presidente constitucional do país, Manuel Zelaya, deposto em 28 de junho passado.

O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Romeo Vásquez Velásquez, informou ontem que "100% dos soldados já estão nas ruas", e chamou a população para que compareça às urnas sem medo.

Por sua vez, a Frente Nacional de Resistência contra o Golpe de Estado denunciou que vários de seus dirigentes foram detidos nas últimas horas, por serem contra a realização das eleições. Os partidários do mandatário destituído também negam as acusações de que estejam por trás de ataques contra instalações de veículos da imprensa que apoiam o governo golpista.

Também ontem, o Comitê de Familiares de Presos Desaparecidos em Honduras (Cofadeh) disse ter recebido inúmeras denúncias sobre "o aumento do clima de repressão, temor e incerteza".

Segundo a organização, o regime de facto tem ordenado "buscas e apreensões em organizações e casas de membros da resistência contra o golpe, e está perseguindo jovens que se manifestem descontentes com a situação a qual são submetidos pelo governo usurpador".

Ainda de acordo com a Cofadeh, em Gualala, no departamento de Santa Bárbara, as residências de Alexander Trejo e Leonel Arturo Enamorado, líderes da Organização Democrática Popular, foram inspecionadas no último sábado.

Os locais foram "inspecionados pela Polícia Nacional Preventiva e de Investigação sem ordem judicial", e os jovens "foram intimidados e sofreram ameaças", disse a entidade.

As forças policiais, por sua vez, alegam que buscam materiais que possam comprometer o processo eleitoral, assim como artefatos e armas que possam ser utilizados em atentados.

A Frente Nacional de Resistência pede ainda que a população não deixe suas casas hoje. "Votar é uma traição à pátria, é legitimar o golpe, desrespeitar a memória dos mortos, é ser insensível e indiferente a dor dos que foram agredidos e torturados, é ser nada solidário com as companheiras mulheres violentadas", diz o grupo em uma mensagem.

Já a Igreja Católica, em sua publicação Fides, chama os hondurenhos a comparecerem às urnas. "A participação cidadã concede legitimidade ao mandato que é conferido. Nas eleições, a opinião da maioria é decisiva sobre os que serão escolhidos".

No mesmo sentido, o embaixador dos Estados Unidos em Honduras, Hugo Llorens, declarou que as eleições de hoje serão "um grande dia" para o povo hondurenho, que "tem o direito inalienável de eleger seus futuros líderes, presidentes, novo Congresso, novos prefeitos, e é parte do processo para normalizar a situação em Honduras e restabelecer a ordem constitucional".

As eleições para presidente, 128 assentos no legislativo e 298 representantes locais começam às 7h locais (11h no horário de Brasília), sem a participação de observadores de órgãos internacionais -- como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a União Europeia (UE) --, mas com apoio de países importantes da região, como Estados Unidos e Costa Rica.

O comparecimento às urnas será determinante para medir o apoio popular do regime liderado por Roberto Micheletti. Embora o voto seja obrigatório, no país não há punições e os índices de abstenção têm chegado a 45% nos últimos anos.

Zelaya, que desde o dia 21 de setembro está abrigado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, mantém seu pedido para que os cidadãos boicotem o pleito.

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