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04/12/2009 - 20h06

Bolivianos votam em São Paulo pela primeira vez no domingo

ANSA
Por JOSÉ HENRIQUE LOPES

SÃO PAULO, 4 DEZ (ANSA) - Neste domingo, pouco mais de 18 mil bolivianos que moram em São Paulo poderão pela primeira vez participar de um processo eleitoral à distância, escolhendo presidente e vice-presidente de seu país.

A novidade se tornou possível por meio da aprovação de uma lei que também promoveu o recenseamento de todos os eleitores bolivianos. O novo cadastro geral reúne dados de 5,1 milhões de pessoas.

Em São Paulo, única cidade brasileira a receber urnas, cinco centros de votação serão montados em bairros onde é tradicional a presença boliviana: Barra Funda, Bom Retiro, Brás, Canindé e Santana.

"Os locais foram escolhidos criteriosamente com base na quantidade de bolivianos e bolivianas que vivem nestes bairros", diz à ANSA Jorge González, representante da Corte Nacional Eleitoral da Bolívia em São Paulo. Também haverá votação na Argentina, na Espanha e nos Estados Unidos.

Entre setembro e outubro, a entidade, que é autônoma em relação aos poderes do Estado, realizou uma campanha de cadastramento com vários pontos de inscrição espalhados pela capital paulista.

Para fazer o registro, bastava ter mais de 18 anos e apresentar um documento de identidade ou passaporte em vigência. O procedimento consistiu em armazenar foto, assinatura e impressão digital de cada eleitor, reunidos no chamado "padrão biométrico". No Brasil, o voto não é obrigatório.

González reconhece que, devido ao pouco tempo de campanha -- pouco mais de um mês -- não foi possível cadastrar um número maior de eleitores. Na Argentina, por exemplo, mais de 50 mil pessoas se alistaram. Na Espanha, foram 90 mil.

"Tivemos pouco tempo. Pelo fluxo de pessoas que nos procuraram principalmente na última semana, acredito que este número poderia ter avançado em pelo menos 50%", admite.

Não há um número exato de quantos bolivianos vivem na capital paulista e seus arredores. O Centro de Apoio ao Imigrante (Cami), ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), fala em 160 mil pessoas só em São Paulo. A Corte Eleitoral da Bolívia, em mais de 150 mil.

As 76 mesas de votação montadas permanecerão abertas entre 8h e 17h. "Se houver fila, o atendimento seguirá até que todos votem", garante o representante da Corte. Ao todo, são 18.616 eleitores, e 494 pessoas estarão mobilizadas para trabalhar no processo, entre mesários, auxiliares e inspetores -- todos imigrantes que vivem em São Paulo.

Terminada a jornada, a apuração será iniciada imediatamente. "Os dados serão enviados a La Paz no mesmo dia. Pelo menos quanto aos votos do exterior, os resultados sairão ainda na noite de domingo", assegura González.

O atual presidente, Evo Morales, é favorito à vitória ainda no primeiro turno, já que pesquisas dão a ele mais de 50% dos votos. Também pela primeira vez, ele tenta obter um segundo mandato, beneficiado pela nova Constituição do país, submetida a referendo e aprovada pela população no início do ano.

Eleito em 2005, Morales, um ex-líder sindical de produtores de coca, é o primeiro presidente indígena da Bolívia, país em que mais de 60% da população descende de povos originários.

Seu principal adversário será o ex-governador de Cochabamba Manfred Reyes Villa, do Plano Progresso para a Bolívia (PPB), que detém cerca de 20% das intenções de voto.

As eleições de domingo servirão ainda para escolher 36 senadores e 130 deputados da Assembleia Plurinacional Legislativa, que substituirá o Congresso. Também haverá votações sobre autonomias regionais.

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