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05/12/2009 - 14h16

Imigrantes bolivianos querem eleger representantes no Legislativo

ANSA
Por JOSÉ HENRIQUE LOPES

SÃO PAULO, 5 DEZ (ANSA) - Embora reconheçam que votar para presidente pela primeira vez seja positivo para os imigrantes que vivem em São Paulo, eleitores bolivianos ouvidos pela ANSA manifestaram o desejo de poder escolher também seus próprios representantes no Poder Legislativo.

"Queremos um representante de nossos interesses dentro do governo", diz Wilbert Rivas, de 30 anos, que deixou a Bolívia em 2006 e também já viveu na Argentina. Desta forma, ele crê que as comunidades que estão espalhadas pelo mundo teriam seus interesses específicos levados a debate nas esferas de poder do país.

Neste domingo, 18.616 bolivianos que vivem em São Paulo e se inscreveram junto à Corte Nacional Eleitoral poderão ir às urnas para eleger apenas presidente e vice. A votação à distância, que ocorre pela primeira vez e no Brasil terá urnas somente na capital paulista, também será realizada na Argentina, na Espanha e nos Estados Unidos. Na Bolívia, os eleitores terão ainda de escolher 36 senadores e 130 deputados para compor a Assembleia Plurinacional Legislativa, que substituirá o Congresso. Para Rivas, o problema é que as instituições que representam o Estado boliviano nem sempre tomam como prioridade as necessidades de quem mora aqui. "O consulado e a embaixada não representam os interesses dos trabalhadores. Estão aí para atuar em favor de interesses pessoais ou de empresas", afirma.

Não se sabe o número exato de bolivianos que vivem no Brasil, a maioria em São Paulo. O Centro de Apoio ao Imigrante (Cami), ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), fala em 160 mil pessoas só na capital paulista.

Na metrópole, boa parte dos cidadãos vindos do país andino vai trabalhar em oficinas de costura, muitas vezes submetida a longas e abusivas jornadas de trabalho, com salários baixos e condições precárias.

"Trabalham durante 14, 16 horas e mandam remessas para suas famílias", lembra Wilbert Rivas, que é funcionário do Cami. "Muitos bolivianos vêm para cá com o objetivo de fazer capital. Para os bolivianos, o Brasil muitas vezes é a América ou a Europa."

Voto por obrigação Questionado sobre o processo eleitoral deste domingo, o aposentado Juan Villegas Zuazo, de 65 anos, disse que seu desejo seria na verdade poder votar e escolher autoridades no Brasil, onde vive há 25 anos.

"Vivo há 25 anos no Brasil. Tenho muitas obrigações aqui, mas não recebemos nenhuma garantia de direitos. Não dão bola para nós. Não estamos aqui para fazer turismo", queixa-se.

Zuazo, que foi funcionário público na Bolívia e vive com a mulher e cinco filhos no Brasil, afirma que desde que chegou ao país passou a fazer parte de seu dia-a-dia, fosse pela necessidade de trabalhar ou pelo convívio com a população local.

Hoje, com genros e noras brasileiros, ele confessa sentir saudade da Bolívia, mas alega que não havia possibilidade de continuar vivendo lá. No Brasil, participa de ações e mantém contato com outros membros da comunidade para avançar na luta pelos direitos dos imigrantes.

"Tudo é muito limitado. Tomam-nos com nenhum interesse. Nenhum partido veio aqui nos visitar", opina ele, referindo-se às legendas que participarão das eleições deste domingo, que têm como favorito o atual presidente, Evo Morales, candidato a um novo mandato.

Por isso, Zuazo revela que votará amanhã apenas por obrigação, pois teme que a ausência faça-o deixar de receber a aposentadoria -- embora no Brasil o voto não seja obrigatório.

"Vou votar, mas apenas por obrigação. De coração, não tenho vontade. Não estou interessado", afirma ele, que também defende o direito a eleger representantes no Legislativo.

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