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09/12/2009 - 20h33

Para o Vaticano, padrões de consumo favorecem a mudança climática

ANSA
CIDADE DO VATICANO, 9 DEZ (ANSA) - O chefe da delegação do Vaticano que participará em Copenhague da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP 15), monsenhor Celestino Migliore, afirmou hoje que o aquecimento global está mais atrelado aos padrões de consumo que ao crescimento da população mundial.

Em entrevista à agência católica Zenit, Migliore, que chegará apenas na próxima segunda-feira à Dinamarca, fez referência a uma antiga divergência que segundo ele existiria entre a Santa Sé e a ONU.

O sacerdote lembrou que o papa Bento XVI já havia dito, durante a Cúpula Mundial sobre Segurança Alimentar, da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), que a solução para a escassez de alimentos -- e a mudança climática -- não reside no controle populacional, mas no alto nível do consumo mundial.

Durante o evento, realizado na Itália em novembro, o Pontífice afirmou em seu discurso que não há nenhuma relação de "causa e efeito entre o crescimento da população e a fome", já que o número de pessoas sem acesso regular a alimentos continua sofrendo um "dramático aumento", mesmo que haja condições de "nutrir suficientemente todos os habitantes" do planeta.

A Igreja Católica condena o aborto ou métodos anticoncepcionais como formas de conter o crescimento da população.

"O aquecimento global depende das modalidades às vezes indiscriminadas e do elevado nível de consumo mais que do número de habitantes da Terra", disse Migliore.

Para sustentar os argumentos da Santa Sé, o religioso ressaltou que os principais emissores de gases causadores do efeito estufa são países "de grande desenvolvimento e geralmente com taxas mínimas de nascimento".

"Se quisermos encontrar soluções eficazes para a dilapidação do patrimônio ecológico, devemos manter a atenção focada sobre várias causas", destacou o monsenhor. Segundo ele, é preciso "olhar os princípios da responsabilidade comum, embora diferenciada, e da igualdade".

Papa

No último domingo, ao celebrar o Angelus na Praça São Pedro, no Vaticano, o papa Bento XVI pediu às delegações que participam da COP 15 a promoção de um "desenvolvimento solidário, orientado ao bem comum".

"Espero que os trabalhos ajudem a especificar ações respeitosas à Criação e promotoras de um desenvolvimento solidário, fundamentado na dignidade da pessoa e orientado ao bem comum", disse o Pontífice.

Bento XVI cobrou a adoção de um "estilo de vida sóbrio e responsável", sobretudo em relação aos mais pobres e às gerações futuras. "Para garantir o sucesso da Conferência, convido todas as pessoas de boa vontade a respeitar as leis de Deus na natureza e a redescobrir a dimensão moral da vida humana", acrescentou.

Desde que teve início seu pontificado, em 2005, o alemão Joseph Ratzinger fez da preservação do ambiente uma de suas principais bandeiras. O tema também está presente na encíclica "Caritas in Veritate", divulgada pelo Vaticano em julho.

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